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Arruda: Brasília precisa de um governador experiente e não de bravatas e pautas de costumes

Escrevo de fora do Distrito Federal e, portanto, não tenho voto nesta eleição, mas acompanho a vida pública brasileira há muitos anos, como escritor, historiador, jornalista, apresentador e diretor de televisão, e considero legítimo manifestar minha posição diante de uma escolha que ultrapassa a disputa entre nomes e toca uma questão que sempre me pareceu essencial na política brasileira, que é a necessidade de recuperar o valor da experiência, da capacidade técnica, do conhecimento da máquina pública e da responsabilidade de quem assume o comando de uma administração complexa como a do Distrito Federal, razão pela qual recomendo o voto em José Roberto Arruda.

Existe ainda um vínculo afetivo que não escondo, porque Arruda é meu conterrâneo de Itajubá, cidade onde nasceu e onde se formou engenheiro antes de construir em Brasília uma trajetória profundamente ligada ao serviço público, à administração e à política, mas minha recomendação não nasce da conterraneidade, porque seria pouco reduzir uma escolha dessa natureza à coincidência de origem, e nasce, sobretudo, da comparação entre experiência, capacidade de gestão, conhecimento administrativo e resultados concretos.

Arruda conhece o Distrito Federal por dentro porque sua trajetória começou muito antes de chegar ao Palácio do Buriti, passando pela Novacap, pela CEB, pela Secretaria de Obras, pelo Senado Federal, pela Câmara dos Deputados e pelo próprio Governo do Distrito Federal, acumulando ao longo desse percurso um conhecimento da estrutura pública, dos seus limites, das suas urgências e das suas possibilidades que não se aprende em campanha eleitoral, não se adquire em discursos improvisados e não se substitui por marketing político.

Quando governou, deixou marcas concretas na infraestrutura, no transporte, na saúde e na organização urbana de Brasília, com iniciativas associadas à expansão do Metrô até Ceilândia, à Linha Verde da EPTG, à nova Rodoviária Interestadual, à construção de escolas, ao Hospital de Santa Maria e a outras intervenções que permaneceram incorporadas à vida cotidiana do Distrito Federal, e é justamente por isso que considero necessário olhar para sua passagem pelo governo de maneira inteira, sem o conforto das simplificações que transformam uma trajetória complexa em uma única fotografia.

Arruda cometeu erros graves, enfrentou consequências políticas e judiciais e teve sua vida pública atravessada por um episódio que não pode, nem deve, ser apagado, minimizado ou reescrito para atender à conveniência de quem o apoia, mas como historiador não acredito em memória seletiva, assim como não acredito que um homem deva ser condenado para sempre a existir apenas dentro do pior momento de sua biografia, ignorando tudo o que realizou antes, tudo o que aprendeu depois e tudo o que ainda pode oferecer à vida pública.

Depois dos anos de Ibaneis Rocha e diante da continuidade política representada por Celina Leão, considero que o Distrito Federal precisa voltar a discutir com seriedade gestão, planejamento, responsabilidade administrativa, infraestrutura, saúde, educação, transporte, segurança e capacidade de execução, porque uma unidade da Federação com a importância institucional, econômica e simbólica de Brasília não pode ser governada como laboratório de improvisações, nem pode aceitar como suficiente a simples manutenção de um projeto político que, para muitos, já demonstrou seus limites.

É exatamente nesse ponto que a experiência de Arruda volta a ter peso, porque ele conhece Brasília, conhece a administração, conhece os instrumentos de governo, conhece os erros que uma gestão pode cometer, conhece o preço político das decisões equivocadas e conhece, sobretudo, a diferença entre ocupar o poder e administrar de fato uma cidade que exige comando, planejamento e execução.

Não voto no Distrito Federal, mas posso observar, comparar e me posicionar, e olhando para o que Brasília viveu nos últimos anos, para o desgaste de áreas essenciais, para a necessidade de recuperar eficiência administrativa e para a importância de se colocar novamente a técnica acima da improvisação, considero que chegou o momento de substituir a continuidade pela experiência e de permitir que o eleitor examine José Roberto Arruda não apenas pelo que aconteceu em seu pior momento, mas pela totalidade de uma trajetória que inclui erros, realizações, conhecimento acumulado e disposição para servir.

Por isso, recomendo aos eleitores do Distrito Federal, onde mora parte de minha família, que olhem para a trajetória completa de José Roberto Arruda, avaliem com independência seus erros, suas realizações, sua experiência e sua capacidade administrativa e decidam com a consciência de que governar Brasília exige muito mais do que produzir uma boa imagem, porque exige saber fazer, saber decidir, saber administrar e, sobretudo, saber responder pelo que se faz.

Fabrício Correia é professor universitário, escritor historiador, jornalista, apresentador e diretor de televisão.

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