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BC pede ao MPF congelamento de R$ 11,5 bilhões em fundos da Reag sob suspeita ligada ao caso Master, mostra investigação da Folha

O Banco Central pediu ao Ministério Público Federal o congelamento de R$ 11,5 bilhões em fundos de investimento administrados pela Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., sob suspeita de que os recursos tenham sido usados em operações fraudulentas atribuídas ao banco Master. A informação foi revelada em investigação publicada pela Folha de S.Paulo, que descreve um novo capítulo de apurações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como dono do Master e mencionado como eixo das suspeitas.

Segundo a Folha, o pedido do BC integra a comunicação do caso ao MPF e parte da hipótese de que parte desses valores esteja em nome de “laranjas” ligados a Vorcaro. A reportagem relata que o regulador acionou a Procuradoria após identificar indícios de fraude em negócios do banco com fundos administrados pela Reag, configurando, ainda de acordo com o jornal, a segunda denúncia feita pelo BC. A primeira, conforme já havia sido noticiado, tratava da revenda de carteiras de créditos inexistentes ao BRB (Banco de Brasília), dentro de um volume bilionário relatado por investigadores.

A investigação também aponta que a Reag foi um dos alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto, que mira a relação entre o setor de combustíveis, o PCC e empresas financeiras. Procurada, a empresa negou, em nota, qualquer elo com o PCC e afirmou que não teve acesso ao relatório do Banco Central e, por isso, não responderia a questionamentos sobre a relação com o Master. Ainda segundo a reportagem, entre os fundos citados na denúncia ao Ministério Público estariam o Bravo 95 Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado e o D Mais Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, ambos administrados pela Reag.

O material publicado pela Folha descreve que o Banco Central informou ao TCU a data em que comunicou o caso ao MPF. O jornal registra que, em 17 de novembro de 2025, houve nova comunicação por indícios de crimes, na véspera de ser decretada a liquidação do Master, anunciada em 18 de novembro. No pano de fundo, a reportagem sustenta que as regras bancárias, por serem rígidas e amarrarem o uso do dinheiro a limites prudenciais exigidos pela legislação, teriam influenciado a forma como o esquema — sob suspeita — teria se estruturado.

A investigação detalha um mecanismo em etapas, atribuído a investigadores ou fontes do caso. O roteiro descrito começa com o Master emprestando dinheiro para uma empresa que não teria relação direta com o banco, mas que faria parte do circuito sob suspeita. Em seguida, a empresa, em vez de aplicar o financiamento no negócio que justificaria a tomada do crédito, direcionaria os recursos para fundos administrados pela Reag. O que apareceria nos sistemas monitorados pelo Banco Central seria um empréstimo formalmente dentro dos limites das regras de Basileia, com requisitos mínimos de capital para cobrir riscos de crédito, mercado e operação. Na sequência, segundo a narrativa, o gestor do fundo, ao receber dinheiro cuja origem inicial seria o empréstimo do Master, compraria um ativo de baixa liquidez pagando um preço muito acima do valor, favorecendo o vendedor.

A partir daí, a reportagem descreve o dinheiro “andando” de fundo em fundo: o vendedor embolsaria o lucro e usaria o valor recebido para aplicar em outro fundo, até que os recursos desembocassem em fundos com titularidade de pessoas laranjas ligadas ao grupo Master. Um investigador ouvido pela Folha afirma que o mecanismo permitiria ao Master retirar dinheiro “de dentro para fora do banco”, ganhando graus de liberdade sobre o destino dos recursos.

A Folha também relata que o problema do Master teria começado a se evidenciar a partir de uma crise de confiança no último trimestre de 2024, quando o banco passou a enfrentar dificuldade para captar dinheiro novo via CDBs e sofreu falta de liquidez para pagar dívidas antigas em vencimento. O jornal registra, ainda, que, como as empresas que contraíram o financiamento não teriam investido no próprio negócio — desviando o dinheiro para os fundos — os empréstimos seriam estruturados com carência de quatro anos, num formato que, conforme a apuração, reduziria sinais imediatos de falta de amortização da dívida.

 

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