A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) anunciou nesta terça-feira (3) que está fora do Brasil e que pretende solicitar licença de seu mandato parlamentar. A declaração foi feita por meio de uma transmissão online, quase três semanas após o Supremo Tribunal Federal tê-la condenado a dez anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Sem revelar sua localização exata, Zambelli informou apenas que se encontra na Europa, onde já realizava tratamentos de saúde. Segundo ela, a permanência fora do país motivou sua decisão de pedir afastamento das funções legislativas.
Durante sua fala, a parlamentar mencionou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que também se licenciou do cargo após sair do Brasil, sugerindo que tomará medida semelhante com base no mesmo dispositivo legal.
Zambelli já havia sido alvo de medidas judiciais anteriormente, quando teve seu passaporte retido em 2023 por ordem do ministro Alexandre de Moraes. O documento, no entanto, foi devolvido posteriormente, o que tecnicamente não impediu sua saída do território nacional.
Nos bastidores do Supremo, ministros avaliam que a viagem da deputada ao exterior pode configurar tentativa de fuga e cogitam novas medidas cautelares — entre elas, um pedido de prisão preventiva ou até a inserção do nome da parlamentar na lista de procurados da Interpol.
A condenação imposta pelo STF deve levar à cassação de seu mandato e à perda de seus direitos políticos por oito anos. Esse período de inelegibilidade só passará a contar após o cumprimento integral da pena, o que, na prática, poderá afastá-la da vida pública por quase duas décadas. Zambelli ainda tem a possibilidade de apresentar recursos, como embargos de declaração, mas, conforme o rito do STF, a execução da pena costuma começar após a análise final desses recursos.