Cláudio Castro (PL) renunciou ao governo do Rio de Janeiro nesta segunda-feira, 23 de março, em um movimento que muda abruptamente o cenário político fluminense às portas de um julgamento decisivo no Tribunal Superior Eleitoral. A Corte volta a analisar nesta terça-feira, 24 de março, os recursos que pedem a cassação de seu mandato por suposto abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. 
Ao anunciar a saída, Castro afirmou que pretende disputar uma vaga no Senado em 2026. Pela legislação eleitoral, ele já teria de deixar o cargo dentro do calendário de desincompatibilização, mas a renúncia, feita a um dia da retomada do julgamento, amplia a leitura de que o gesto também busca reposicionar sua situação política diante do avanço do processo no TSE. 
O caso em análise envolve suspeitas sobre contratações e repasses ligados ao Ceperj e à Uerj durante o período eleitoral de 2022. Nos recursos, a acusação sustenta que houve uso da máquina pública para obtenção de vantagem eleitoral. Castro sempre negou irregularidades e, desde o início da ação, sustenta que os atos de governo não tiveram relação com a campanha. 
O julgamento no TSE já havia produzido dois votos pela condenação de Castro quando foi interrompido por pedido de vista do ministro Nunes Marques, em 10 de março. Na ocasião, a relatora, ministra Isabel Gallotti, votou pela cassação dos diplomas e pela inelegibilidade, posição acompanhada pelo ministro Antonio Carlos Ferreira. Ainda faltam os votos de outros integrantes da Corte. 
Com a vacância do cargo, o Rio entra agora em um período de transição institucional. Segundo as informações publicadas nesta segunda-feira, o desembargador Ricardo Couto assume interinamente, enquanto a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro deverá conduzir uma eleição indireta para escolher quem completará o mandato até o fim de 2026. 

