Investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento em ações golpistas, o senador Marcos do Val (Podemos-ES) viajou para os Estados Unidos mesmo após ter seus passaportes bloqueados por decisão do ministro Alexandre de Moraes. O parlamentar embarcou na noite de 23 de julho com destino a Miami, usando, segundo testemunhas, um passaporte diplomático, mesmo este estando formalmente retido.
A entrada do senador em solo americano foi confirmada nos registros da alfândega dos EUA, o que levanta dúvidas sobre o cumprimento das medidas cautelares impostas pelo STF. O processo que investiga Do Val corre sob sigilo e envolve suspeitas de crimes como divulgação de documento confidencial, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, e participação em organização criminosa.
O senador reagiu às acusações alegando que a decisão que o impediu de utilizar seus passaportes é “ilegal” e afirmou que comunicou previamente sua viagem às autoridades competentes. Em nota, declarou que seu visto oficial para os Estados Unidos está válido até 2035 e que seu passaporte diplomático, expedido pelo Itamaraty, segue com validade até 2027.
Apesar disso, a Polícia Federal informou que ambos os documentos estavam oficialmente bloqueados desde agosto de 2024. Fontes da corporação relataram que, à época, apenas o passaporte comum foi apreendido, enquanto o diplomático permaneceu com o senador.
Na tentativa de justificar sua viagem, Do Val encaminhou à imprensa arquivos que alegava comprovar a legalidade de sua entrada nos EUA. No entanto, os documentos apresentados não têm validade oficial e incluem títulos como “Parecer Jurídico sobre a Ilegalidade da Suspensão do Passaporte” e “Cumprir Ordens Ilegais”.
A Procuradoria-Geral da República ainda não se manifestou sobre a aparente violação das restrições impostas ao senador. O STF, por sua vez, declarou que não havia informações atualizadas sobre Do Val até a noite anterior ao embarque. O Itamaraty também disse desconhecer a viagem e informou que o assunto é de responsabilidade da Polícia Federal.
Em declarações à imprensa, o parlamentar voltou a criticar a Corte e afirmou que os ministros do Supremo estariam “violando a Constituição”. Ele sustenta que a retirada de seu passaporte diplomático só seria legítima em caso de condenação judicial definitiva, o que ainda não ocorreu. Enquanto isso, segue nos Estados Unidos, onde, segundo relatos, chegou a ser abordado por comissários durante o voo que partiu de Manaus, exibindo um passaporte de capa vermelha — cor do documento diplomático.