Congresso do Peru derruba presidente José Jerí

O Congresso do Peru aprovou nesta terça-feira uma moção de censura que retira do cargo o presidente José Jerí, encerrando mais um capítulo de instabilidade no comando do país e colocando o Parlamento novamente no centro da sucessão. A decisão foi tomada após a repercussão de um escândalo envolvendo encontros mantidos e não informados por Jerí com um empresário, episódio que acelerou a perda de sustentação política do chefe do Executivo.

A censura foi aprovada por 75 votos favoráveis, 24 contrários e três abstenções, número suficiente para afastar Jerí do posto que ocupava por também exercer a chefia do Congresso. Aliados do presidente defendiam que, pelas características do caso, o caminho adequado seria um processo de impeachment — que exige maioria qualificada —, mas Jerí sinalizou que respeitaria o resultado da votação e, ao fim, acabou vencido pelo rito mais rápido e politicamente menos custoso para os parlamentares.

No desenho institucional peruano, a queda do presidente reacende imediatamente a engrenagem da linha sucessória e, com ela, as disputas internas por comando. Embora o atual presidente do Congresso, Fernando Rospigliosi, figure como próximo na ordem de substituição, ele indicou que não assumirá a presidência, o que força o Legislativo a eleger um novo chefe do Parlamento — e é esse nome que deverá ocupar o Palácio do Governo e conduzir o país no curto prazo. A escolha do novo líder parlamentar está prevista para esta quarta-feira.

Jerí havia assumido o cargo em outubro, na esteira de uma sequência de trocas no topo do poder que virou marca recente do Peru: ele sucedeu Dina Boluarte, também destituída, que por sua vez tinha substituído Pedro Castillo, removido em meio a acusações relacionadas a uma tentativa de golpe de Estado. O afastamento de Jerí, portanto, adiciona mais um nome à lista de mandatários — eleitos ou sucessores — que não conseguiram concluir seu período de comando, mesmo em um país que ainda mantém indicadores econômicos vistos como relativamente estáveis na comparação regional.

Um dos pontos que pesou na estratégia legislativa foi o critério de votação: enquanto o impeachment demanda 87 votos em um Congresso de 130 membros, a moção de censura pode ser aprovada com maioria simples — 66 votos, ou menos, dependendo do número de parlamentares presentes na sessão. Foi por essa trilha, mais curta e viável, que a maioria optou por resolver a crise política desta semana, empurrando o Peru para mais uma transição em ritmo acelerado e deixando a expectativa concentrada na eleição do novo comando do Parlamento, agora com efeito direto sobre a Presidência da República.

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