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Damaris Moura, a voz que transforma convicção em liberdade

Escolher um deputado estadual não deveria ser um exercício de identificação automática com partidos, governos ou campos ideológicos, mas a procura por alguém cuja trajetória permita saber o que fará quando chegar o momento de transformar princípios em leis, fiscalizar o poder e enfrentar assuntos que nem sempre rendem popularidade, e é exatamente por isso que minha escolha para a Assembleia Legislativa de São Paulo passa por Damaris Moura, uma mulher cuja atuação pública revela coerência entre aquilo que sustenta e aquilo que efetivamente levou para dentro do Parlamento.

Damaris é advogada, nasceu em Vitória da Conquista, na Bahia, construiu sua vida pública em São Paulo e chegou pela primeira vez à Alesp nas eleições de 2018, quando recebeu 45.103 votos, iniciando um mandato no qual integrou comissões importantes, entre elas Constituição, Justiça e Redação e Finanças, Orçamento e Planejamento, além de presidir a Comissão de Defesa e dos Direitos das Mulheres.

Sua história parlamentar, porém, me interessa por algo que considero cada vez mais necessário no Brasil: Damaris é uma mulher de fé que compreendeu que defender a própria crença significa também proteger o direito do outro de acreditar diferente, mudar de religião ou simplesmente não acreditar, uma distinção fundamental em tempos nos quais liberdade religiosa tantas vezes é confundida com privilégio religioso, e sua atuação nessa área antecede o mandato, acumulando anos de participação em debates, congressos e iniciativas relacionadas ao tema.

Essa defesa deixou o terreno do discurso e chegou à legislação, pois Damaris é autora da Lei Estadual de Liberdade Religiosa, iniciativa destinada a fortalecer o livre exercício da fé e enfrentar a intolerância, colocando no centro do debate uma ideia que me parece elementar para qualquer democracia madura: nenhuma religião precisa perder espaço para que outra tenha liberdade.

Também encontro razões concretas para apoiá-la quando observo seu trabalho em defesa das mulheres, das crianças e dos adolescentes, especialmente porque presidiu a Comissão de Defesa e dos Direitos das Mulheres e uma CPI destinada a investigar denúncias de violência sexual contra estudantes do ensino superior, enquanto outra iniciativa de sua autoria se transformou em lei voltada à capacitação de estudantes dos ensinos fundamental e médio para reconhecer e prevenir situações de violência intrafamiliar e abuso sexual.

Esse é o tipo de atuação que ultrapassa fronteiras ideológicas porque alcança a vida antes que a tragédia aconteça, oferecendo informação e instrumentos de proteção justamente a quem muitas vezes sequer possui vocabulário para compreender a violência que está sofrendo.

Damaris também conhece uma dimensão da administração pública que muitos parlamentares observam apenas de seus gabinetes, porque exerceu a função de subprefeita de São Miguel Paulista e esteve diante dos problemas concretos de uma das regiões mais populosas e complexas da Zona Leste paulistana, acompanhando questões de infraestrutura, serviços e participação comunitária.

De volta à Assembleia, sua agenda passou a incorporar ainda com mais força o empreendedorismo feminino, aproximando sua histórica defesa das mulheres de uma questão decisiva para a autonomia delas, que é a capacidade de produzir renda, construir negócios e conquistar independência econômica.

Não preciso concordar com cada posição de Damaris Moura para reconhecer nela aquilo que mais procuro quando decido meu voto, porque democracia não é procurar alguém que reproduza integralmente o que pensamos, mas escolher representantes que tenham identidade, preparo, trabalho verificável e disposição para conviver com as diferenças sem transformar divergência em inimizade.

Em uma Assembleia que precisa recuperar o sentido do diálogo, quero uma deputada capaz de defender suas convicções sem imaginar que somente quem pensa como ela merece liberdade, uma mulher que conhece a lei por formação, a periferia pela experiência administrativa, o Parlamento pela prática e a vulnerabilidade feminina por uma trajetória dedicada ao enfrentamento da violência.

Por essas razões, minha sugestão de voto para deputada estadual em São Paulo é Damaris Moura, porque entre o barulho dos extremos ainda existe espaço para uma atuação feita de convicção, respeito e resultado, e preservar esse espaço também é uma escolha que fazemos diante da urna.

Fabrício Correia é escritor, historiador, jornalista e professor universitário com especialização em Acessibilidade, Diversidade e Inclusão.

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