Foto: Imetame

De “PowerPoint” ignorado a obra bilionária: porto em Aracruz vira aposta de R$ 2,5 bilhões no ES

Por anos, a proposta parecia condenada a virar apenas uma ideia repetida em apresentações e reuniões. A Imetame, grupo capixaba com atuação industrial e logística, levou seu projeto de porto ao maior evento do setor, buscou armadores, apresentou planos, insistiu. A resposta, quase sempre, foi a mesma: pouco interesse  e a desconfiança de que não havia nada de concreto além de slides.

A virada começou quando a empresa decidiu bancar o risco. Em 2021, o empresário Etore Cavallieri (fundador do grupo) optou por iniciar a obra com recursos próprios em uma área comprada em Aracruz, no Espírito Santo. Com o avanço físico do empreendimento, o mercado passou a olhar diferente para o que antes tratava como promessa.

“Quando a obra andou, o interesse apareceu”, resume a leitura de executivos envolvidos no projeto. E o passo decisivo veio no fim do ano passado: a Hanseatic Global Terminals (HGT) — braço de terminais da Hapag-Lloyd, uma das gigantes globais do transporte marítimo — firmou acordo com a Imetame para entrar na operação do terminal de contêineres.

Embora os valores do acordo não tenham sido divulgados oficialmente, pessoas próximas à negociação apontam uma cifra na casa de R$ 1,1 bilhão para a transação. No conjunto, o empreendimento é tratado como um projeto de R$ 2,5 bilhões em investimentos para colocar o porto de pé e fazê-lo operar em escala.

Cronograma e capacidade

A previsão é que o complexo comece a movimentar cargas entre o fim de 2026 e o início de 2027. A operação plena, segundo o plano, deve ser alcançada em 2028. Quando estiver em regime total, a projeção é de 1,2 milhão de TEUs por ano — a unidade padrão usada no transporte de contêineres.

A estrutura em Aracruz é descrita como um dos cinco projetos previstos para a área portuária local. A operação do terminal de contêineres ficará sob administração da HGT, enquanto a Imetame deve permanecer com outras frentes logísticas e com um ramal ferroviário próprio ligado ao empreendimento.

Por que Aracruz entrou no radar

Dois fatores ajudam a explicar o apetite dos armadores por alternativas fora dos gargalos tradicionais:

  1. Pressão por capacidade e diversificação: com o aumento da demanda e a busca por rotas mais eficientes, empresas do setor têm procurado opções para reduzir dependência de grandes hubs já congestionados.
  2. Questão de calado: um ponto que chamou atenção, segundo o relato de executivos do setor, foi a profundidade planejada para o porto de Aracruz, estimada em 17 metros, considerada um diferencial para receber navios maiores e ampliar a competitividade na disputa por escalas.

O projeto também é visto como possível rota complementar a Santos, principalmente para cargas em que o custo logístico pesa mais do que a urgência — e num cenário em que exportadores reclamam de filas, tempo de embarque e ineficiências em portos superdemandados.

Quem é a Imetame

Fundada em 1980 e sediada em Aracruz (ES), a Imetame construiu presença na indústria e em serviços para grandes companhias, com clientes citados no mercado como ArcelorMittal, Gerdau, Klabin, Petrobras e Suzano. Agora, com a parceria com a HGT/Hapag-Lloyd, o grupo tenta transformar um projeto antes tratado com ceticismo em um novo eixo logístico no litoral capixaba — e colocar Aracruz no mapa de decisões globais do transporte de contêineres.

 

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