A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou que o governo pretende colocar parte do patrimônio estatal à disposição da iniciativa privada e avaliar a restituição de determinados bens a seus antigos proprietários. A proposta pode representar uma mudança significativa na política econômica do país, marcada pelas nacionalizações realizadas durante o governo de Hugo Chávez.
Segundo Rodríguez, a administração venezuelana está avançando no levantamento de ativos públicos considerados não essenciais. Uma comissão criada em abril foi encarregada de examinar esses bens e avaliar quais poderão ser negociados ou devolvidos. A análise abrange estruturas ligadas a setores estratégicos, como energia, eletricidade e mineração. Até o momento, o governo não divulgou uma lista dos patrimônios que poderão ser transferidos nem o calendário para a execução da medida.
No setor petrolífero, Delcy Rodríguez informou que 44 contratos estão em negociação com base na nova legislação do setor, aprovada em janeiro. O governo também declarou ter firmado 61 acordos relacionados à atividade petrolífera, mas não apresentou detalhes sobre os contratos.
A mineração também está entre as áreas contempladas pelas conversas com investidores. De acordo com a presidente interina, há negociações envolvendo ouro, alumínio e ferro, recursos considerados relevantes para a recuperação econômica venezuelana.
A política de nacionalizações adotada nas últimas décadas deixou um histórico de disputas entre o Estado venezuelano e empresas privadas, inclusive em tribunais internacionais. A eventual devolução de ativos poderá ter repercussões sobre essas relações, embora ainda não esteja claro quais propriedades serão contempladas ou quais condições serão estabelecidas para as transferências.
Rodríguez também anunciou medidas relacionadas à política salarial e aos direitos civis. O governo planeja promover quatro reajustes do salário mínimo nacional ao longo de 2027, um a cada trimestre. Na área de segurança, a presidente afirmou ter orientado os órgãos responsáveis a não efetuarem prisões sem mandado judicial e reiterou o compromisso com o direito a manifestações pacíficas.

