A delegada da Polícia Civil de São Paulo Maria Aparecida Rezende Corsato, que disputou uma cadeira na Assembleia Legislativa paulista pelo União Brasil nas eleições de 2026 e manifestou apoio ao bolsonarismo nas redes sociais, tornou-se alvo de investigação após sua própria irmã denunciar a existência de uma grande quantia de dinheiro escondida dentro de um puff.
O caso foi registrado em Santo André, no ABC Paulista, e ganhou repercussão neste domingo (25). Segundo as informações divulgadas, policiais encontraram R$ 1.246.150 em espécie, além de US$ 120 mil e € 12.675. Somadas e convertidas para a moeda brasileira, as quantias se aproximam de R$ 2 milhões.
A apreensão também incluiu documentos e anotações financeiras que poderão auxiliar as autoridades na identificação da origem dos recursos.
Irmã desconfiou do móvel e acionou a polícia
De acordo com o relato apresentado às autoridades, Corsato teria procurado a irmã, Marise Rezende Corsato Braga, em 30 de setembro, poucos dias antes do primeiro turno das eleições, solicitando que guardasse um puff em sua residência.
Na ocasião, a delegada teria mencionado preocupação com a possibilidade de uma operação de busca e apreensão em seu endereço.
A irmã aceitou receber o móvel, mas posteriormente decidiu verificar seu conteúdo. Ao cortar o revestimento, encontrou pacotes de dinheiro escondidos na estrutura interna.
Surpresa com a descoberta, Marise acionou a Polícia Militar, que compareceu ao imóvel e recolheu os valores. A ocorrência foi encaminhada à Corregedoria da Polícia Civil, responsável pela apuração de possíveis irregularidades envolvendo integrantes da corporação.
Delegada disputou eleição e declarou patrimônio milionário
Maria Corsato concorreu ao cargo de deputada estadual pelo União Brasil nas eleições de outubro de 2026, mas não conseguiu se eleger, ficando na suplência.
Em sua declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral, informou possuir patrimônio de aproximadamente R$ 2,8 milhões, incluindo imóveis e aplicações financeiras.
A delegada também mantém presença expressiva nas redes sociais, onde publica conteúdos relacionados à segurança pública, investigações policiais e posicionamentos políticos. Em suas manifestações, já demonstrou alinhamento com o bolsonarismo e apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).
A participação na disputa eleitoral e a exposição política ampliaram a repercussão do episódio, especialmente diante da quantia encontrada e das circunstâncias em que o dinheiro foi entregue à familiar.
Campanha recebeu recursos partidários
Dados da prestação de contas eleitoral indicam que Corsato recebeu aproximadamente R$ 637 mil para financiar sua candidatura. Desse total, cerca de R$ 610 mil tiveram origem em recursos partidários, incluindo fundos públicos destinados às campanhas eleitorais.
A delegada recebeu 12.713 votos e terminou a disputa como suplente. O patrimônio declarado à Justiça Eleitoral foi de R$ 2,87 milhões. Não existe, até o momento, comprovação de qualquer relação entre os recursos eleitorais e o dinheiro apreendido no móvel.
Corregedoria investiga origem do dinheiro
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo confirmou que a Corregedoria-Geral da Polícia Civil instaurou procedimentos para investigar a procedência dos valores e eventual responsabilidade criminal ou administrativa da delegada.
A ocorrência foi registrada com referências a suspeitas de lavagem de dinheiro, irregularidades funcionais e apreensão de bens. Os documentos encontrados também serão examinados.
Os policiais tentaram localizar Corsato em sua residência, mas foram informados pelo porteiro de que ela não estava no imóvel.
À Folha de S.Paulo, a delegada afirmou que não poderia comentar o episódio devido ao sigilo do procedimento e que estava prestando esclarecimentos à Corregedoria.
A investigação deverá esclarecer por que o dinheiro estava escondido, qual sua procedência e se existe alguma infração relacionada ao episódio. Até agora, não foi divulgada conclusão que comprove a prática de crime pela policial.

