A posse do deputado estadual Roberto Cidade (União Brasil) como governador interino do Amazonas foi marcada, neste domingo (5), por um discurso centrado na estabilidade institucional, na união entre os poderes e na preservação da governabilidade. A solenidade ocorreu na sede da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), durante reunião extraordinária convocada pelo presidente em exercício da Casa, deputado Adjuto Afonso, após a renúncia de Wilson Lima e do vice-governador Tadeu de Souza, formalizada no sábado (4).
Ao assumir interinamente o comando do Executivo estadual, Roberto Cidade afirmou que o momento exige responsabilidade política e compromisso administrativo, afastando, segundo ele, qualquer prioridade eleitoral neste instante. Em sua fala, destacou que o foco da nova etapa deve estar na condução do Estado e no atendimento das demandas mais urgentes da população.
“É momento de união, é momento de responsabilidade, é momento de manter a governabilidade”, declarou.
O novo governador interino também ressaltou que sua missão não estará voltada, neste primeiro momento, para as disputas de 2026, mas para a manutenção do funcionamento da máquina pública e da assistência à população, sobretudo aos segmentos mais vulneráveis.
Ao defender continuidade nas ações do governo, Roberto Cidade mencionou a necessidade de resposta imediata às áreas mais sensíveis da administração. “A fome não espera. Quem precisa de atendimento médico não espera. Nós precisamos enfrentar esse desafio juntos”, afirmou.
Durante o pronunciamento, ele agradeceu aos deputados estaduais, ao ex-governador Wilson Lima e ao ex-vice Tadeu de Souza pela confiança, e sinalizou disposição para manter diálogo com os demais poderes e instituições. A mensagem foi de conciliação, com apelo à classe política para que o processo de transição ocorra com serenidade e responsabilidade.
A ascensão de Roberto Cidade ao comando do Executivo segue a linha sucessória prevista na Constituição do Estado do Amazonas, que estabelece o presidente da Assembleia Legislativa como sucessor imediato em caso de vacância simultânea dos cargos de governador e vice-governador.
A mudança no comando do Estado ocorreu após as renúncias de Wilson Lima e Tadeu de Souza, oficializadas em edição extra do Diário Oficial da Aleam. Nas cartas apresentadas, ambos informaram que a saída atende à exigência legal de desincompatibilização de seis meses antes das eleições gerais de outubro de 2026. As renúncias foram classificadas como irrevogáveis e irretratáveis, com efeito imediato a partir de 4 de abril.
Wilson Lima não anunciou publicamente qual cargo pretende disputar no próximo pleito. Em sua carta, limitou-se a justificar a decisão com base nas exigências da legislação eleitoral e a agradecer à população amazonense e ao Parlamento estadual pelo período em que esteve à frente do governo. Tadeu de Souza apresentou manifestação semelhante, também destacando o caráter definitivo da renúncia e os fundamentos legais da medida.
Com a posse de Roberto Cidade, o Amazonas entra em uma nova fase de transição política, em meio à reorganização do cenário eleitoral de 2026 e ao desafio de manter a estabilidade administrativa diante de uma mudança repentina no topo do Executivo estadual.

