A Diocese de Jundiaí anunciou a excomunhão do padre Rodrigo de Oliveira da Silva após sua adesão à Fraternidade Sacerdotal São Pio X. A decisão foi comunicada pelo bispo diocesano, Dom Arnaldo Carvalheiro Neto, que afirmou que o religioso passou a se encontrar em situação de cisma.
Segundo a diocese, o caso está relacionado à situação canônica da Fraternidade São Pio X após a ordenação de quatro bispos sem autorização do papa, ocorrida em 1º de julho. No dia seguinte, o Dicastério para a Doutrina da Fé publicou documentos tratando das consequências canônicas dessas ordenações.
Em nota pastoral, Dom Arnaldo afirmou que a vinculação de Rodrigo à fraternidade implica sua situação de excomunhão. O bispo acrescentou que os atos ministeriais praticados pelo sacerdote são considerados ilícitos e destacou consequências específicas para alguns sacramentos.
De acordo com o comunicado episcopal, absolvições concedidas pelo padre no sacramento da Penitência e matrimônios celebrados com sua assistência não possuem validade.
A ruptura, entretanto, vinha sendo desenhada meses antes. Rodrigo havia solicitado seu afastamento da Diocese de Jundiaí em fevereiro. Posteriormente, iniciou uma campanha de financiamento coletivo na internet com o objetivo de arrecadar recursos para abrir uma igreja própria em Campo Limpo Paulista. A arrecadação já ultrapassava R$ 70 mil.
Em abril, antes da decisão de excomunhão, o sacerdote publicou um vídeo nas redes sociais no qual explicou por que não pretendia retomar naquele momento a rotina paroquial. Disse que gostaria de voltar a atuar em uma paróquia, mas manifestou críticas à maneira como celebrações católicas estariam sendo conduzidas em determinadas comunidades.
A decisão da Diocese de Jundiaí formaliza agora as consequências canônicas da opção feita pelo religioso e evidencia um conflito que ultrapassa sua situação individual, envolvendo diferentes concepções sobre liturgia, autoridade e obediência dentro da Igreja Católica.

