O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou ter usado dinheiro do próprio bolso para ajudar a financiar um longa-metragem sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. A declaração ocorre após a divulgação de documentos e mensagens que levantaram suspeitas sobre a origem dos recursos utilizados na produção audiovisual.
Segundo Eduardo, o valor investido teria sido devolvido posteriormente pela produtora responsável pelo projeto, após mudanças no modelo de captação financeira do filme. Ele também negou que recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, tenham sido usados diretamente na produção.
A polêmica ganhou força depois que documentos revelados pelo site Intercept Brasil indicaram que Eduardo assinou contrato como produtor-executivo do longa, identificado provisoriamente como “Dark Horse”. O acordo previa participação estratégica na busca de investidores e na articulação de recursos para o projeto cinematográfico.
Mensagens atribuídas a interlocutores ligados à produção mencionam operações financeiras envolvendo fundos nos Estados Unidos e empresários próximos ao entorno bolsonarista. A Polícia Federal acompanha a movimentação para verificar se houve irregularidades no uso de recursos internacionais ou triangulações financeiras.
Eduardo afirmou que nunca administrou diretamente os valores destinados ao filme e que sua atuação esteve limitada à aproximação de investidores interessados. Segundo ele, o dinheiro utilizado inicialmente saiu de recursos próprios e representava um “risco pessoal” apostando na viabilidade comercial da obra.
O caso provocou repercussão política e ampliou o debate sobre a relação entre produções audiovisuais, financiamento privado e figuras públicas ligadas ao bolsonarismo. Nos bastidores de Brasília, adversários apontam contradições entre declarações anteriores do ex-deputado e os documentos agora divulgados.
A produtora responsável pelo longa sustenta que todos os contratos seguiram parâmetros legais e que o projeto continua em desenvolvimento. Já aliados de Jair Bolsonaro tentam minimizar a crise, tratando o episódio como uma “tentativa de politização” de uma produção cinematográfica independente.

