Foto: Reprodução

Eleição em Portugal confirma 2º turno com António José Seguro e André Ventura

Portugal confirmou neste domingo (18) um desfecho raro em sua política: a eleição presidencial seguirá para um segundo turno — algo que não ocorria havia cerca de quatro décadas. Sem que nenhum candidato ultrapassasse a marca de 50% dos votos válidos na primeira volta, António José Seguro e André Ventura avançaram para a disputa final, marcada para 8 de fevereiro.

Com 97% das urnas apuradas, Seguro, nome da centro-esquerda e ex-líder do Partido Socialista, aparecia na frente com 30,84%. Ventura, principal líder da direita populista e candidato associado ao partido Chega, vinha em segundo, com 23,85%. A apuração também evidenciou a pulverização do cenário eleitoral: Portugal registrou um recorde de 11 candidaturas, refletindo a fragmentação do debate público e a dispersão do eleitorado.

A presença de Ventura no segundo turno reforça a consolidação do Chega como força em ascensão — legenda que se tornou, nos últimos anos, a segunda maior bancada do Parlamento português. Ao longo da campanha, o candidato intensificou críticas à imigração e ao sistema político tradicional, em linha com discursos adotados por movimentos de direita que ganharam espaço em diferentes países europeus.

Do outro lado, Seguro começou a reunir apoios logo após a confirmação do avanço à etapa decisiva. Catarina Martins, ligada ao Bloco de Esquerda, e Jorge Pinto, apoiado pelo Livre, anunciaram voto no ex-socialista para a segunda volta, sinalizando uma articulação de setores da esquerda em torno de sua candidatura.

Na fala pós-resultados, Ventura tentou enquadrar a disputa como um embate direto entre “o socialismo” e “os que não querem o socialismo em Portugal”, defendendo a unificação das forças de direita ao seu redor. Seguro, por sua vez, acentuou o tom institucional e afirmou que o país precisa de diálogo num momento de instabilidade e sucessivas tensões políticas.

Embora a Presidência da República em Portugal tenha caráter majoritariamente institucional, o chefe de Estado mantém poderes decisivos em períodos de crise — como vetar leis e até dissolver o Parlamento. A escolha do próximo presidente acontece justamente após um ciclo de dificuldades para consolidar maiorias e garantir estabilidade política no país.

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