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Em São José, Lula associa indústria de defesa à proteção da soberania brasileira

Durante agenda oficial em São José dos Campos nesta segunda-feira (13), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a ampliação dos investimentos nacionais na indústria de defesa, na pesquisa tecnológica e na modernização das Forças Armadas. Em uma das principais cidades do setor aeroespacial brasileiro, ele afirmou que o desenvolvimento dessa cadeia produtiva representa uma questão estratégica para a proteção do território, das riquezas naturais e da população.

Lula recordou que, logo no início do atual mandato, convocou uma reunião dedicada à recuperação da indústria de defesa. O encontro reuniu os comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, o ministro da Defesa, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, representantes do BNDES e integrantes do setor aeronáutico.

Segundo o presidente, a falta de investimentos em equipamentos, tecnologia e capacidade produtiva deixou o país excessivamente dependente e vulnerável. Ele também retomou episódios de seu primeiro governo, iniciado em 2003, quando encontrou dificuldades estruturais nas Forças Armadas, incluindo limitações orçamentárias, problemas na alimentação dos soldados e deficiências na frota de aeronaves oficiais.

Ao defender a atualização da estrutura militar brasileira, Lula disse que as Forças Armadas devem exercer plenamente sua função constitucional de proteger a soberania nacional.

O presidente citou a extensão das fronteiras terrestres brasileiras, que ultrapassam 16 mil quilômetros, além dos cerca de 8,5 mil quilômetros de litoral e da vasta área marítima onde estão reservas de petróleo e outros recursos considerados estratégicos. Para ele, a preservação desse patrimônio exige planejamento contínuo, domínio tecnológico e equipamentos produzidos no próprio país.

Lula ressaltou que o Brasil não possui vocação para conflitos, mas precisa estar preparado para defender seus interesses diante de um cenário internacional marcado por disputas econômicas e geopolíticas.

São José no centro da inovação aeroespacial

No discurso, o presidente destacou a importância de instituições como o ITA e o DCTA, além das empresas instaladas em São José dos Campos, para o avanço científico e industrial brasileiro. Ele defendeu o fortalecimento da produção nacional de tecnologias estratégicas como forma de diminuir a dependência de fornecedores estrangeiros.

Um dos pontos celebrados durante a visita foi o desenvolvimento de uma turbina aeronáutica movida a etanol pelo IAE, unidade vinculada ao DCTA. De acordo com Lula, o projeto coloca o Brasil entre o grupo restrito de países com capacidade de produzir esse tipo de equipamento.

O presidente classificou a iniciativa como uma conquista relevante tanto para o setor aeroespacial quanto para a transição energética, ao reunir inovação tecnológica, combustível renovável e produção nacional.

Industrialização e agregação de valor

Lula também defendeu uma política industrial capaz de transformar minerais estratégicos em produtos de maior valor agregado dentro do território brasileiro. Segundo ele, o país não deve se limitar à exportação de matérias-primas, especialmente de terras raras e minerais críticos.

A proposta apresentada pelo presidente envolve estimular a pesquisa, a industrialização e a geração de empregos qualificados, ampliando a autonomia econômica e tecnológica do Brasil.

Para Lula, preservar e expandir a indústria de defesa significa fortalecer diferentes áreas da economia, criar conhecimento científico e preparar o país para responder a desafios futuros. Ao concluir o pronunciamento, ele afirmou que o investimento permanente em ciência, inovação e capacidade industrial será decisivo para garantir a soberania brasileira e proteger as próximas gerações.

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