O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, homologou nesta sexta-feira (6) o acordo de colaboração premiada de João Carlos Mansur, fundador da gestora de investimentos Reag, investigada por sua atuação em operações financeiras relacionadas ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.
A delação foi negociada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal. Mansur apresentou 17 anexos contendo documentos e relatos sobre possíveis crimes financeiros e assumiu o compromisso de pagar R$ 40 milhões em multas, quantia que, segundo ele, corresponde aos valores recebidos durante sua atuação na empresa.
Um dos principais pontos da colaboração envolve a utilização de fundos de investimento para movimentar recursos do Banco Master. De acordo com o empresário, a Reag mantinha relações comerciais com a instituição desde 2019, período em que Vorcaro assumiu seu controle. Parte das operações teria recorrido a intermediários e empresas sediadas no exterior para dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários.
Entre as transações mencionadas está a transferência de R$ 494 milhões do Master para o Jaguar Multimarket Fund, registrado nas Ilhas Cayman. Embora Benjamim Botelho aparecesse formalmente como beneficiário, Mansur afirmou aos investigadores que os recursos pertenceriam, na realidade, a Daniel Vorcaro.
A colaboração também menciona personagens da política nacional. O senador Jaques Wagner (PT-BA) aparece em um episódio envolvendo ingressos para um show de Taylor Swift, adquiridos por Mansur a pedido de Augusto Lima, ex-sócio do Master. Os bilhetes foram avaliados em R$ 63,3 mil. Wagner declarou anteriormente que solicitou ajuda a um amigo para conseguir os ingressos e negou conhecer o empresário ou manter relações com a Reag.
Outro nome citado é o de ACM Neto (União Brasil), que possuía investimentos em um fundo administrado pela gestora. O ex-prefeito de Salvador afirmou que os recursos aplicados tinham origem lícita e declarada.
A PGR havia solicitado prioridade na análise do acordo em 25 de outubro, diante da preocupação com uma possível desvalorização de ativos que poderiam ser utilizados para ressarcir prejuízos, caso as irregularidades sejam comprovadas.
Mansur também foi investigado nas operações Carbono Oculto e Compliance Zero, conduzidas pela Polícia Federal. A primeira apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao crime organizado, enquanto a segunda examina operações financeiras envolvendo o Banco Master. A Reag foi posteriormente liquidada pelo Banco Central.
A homologação judicial confirma a regularidade formal do acordo, mas não representa comprovação automática das acusações apresentadas pelo colaborador. As informações deverão ser confrontadas com documentos e outras provas durante as investigações.
Com a decisão de Fachin, os investigadores passam a contar formalmente com a colaboração de um empresário que participou da administração de estruturas financeiras ligadas ao Master, em um caso que continua produzindo desdobramentos no mercado financeiro e no meio político brasileiro.
