O nome de Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo do Irã, ganhou força como principal aposta para assumir o posto deixado pelo aiatolá Ali Khamenei, morto, segundo o The New York Times, depois de um ataque coordenado atribuído a Estados Unidos e Israel. Mojtaba, de 56 anos, aparece entre os cotados numa disputa tratada a portas fechadas e atravessada pela pressão da Guarda Revolucionária.
De acordo com o jornal americano, a informação foi obtida com três autoridades iranianas que acompanham as deliberações internas e falaram sob anonimato. Ainda segundo o relato, os religiosos encarregados da escolha do novo líder supremo se reuniram nesta terça-feira para afunilar a decisão, enquanto integrantes da Guarda teriam atuado para empurrar a indicação do filho de Khamenei.
Nos bastidores, a própria data do anúncio virou tema de disputa. Parte do clero defende a divulgação do escolhido na manhã de quarta-feira (4). Outros, porém, demonstram receio de que a oficialização transforme o novo líder em alvo imediato de Washington e Tel Aviv.
A escolha é conduzida pela Assembleia de Peritos, colegiado de clérigos responsável pelo processo. Autoridades afirmaram que o grupo fez duas reuniões virtuais no mesmo dia — uma pela manhã e outra à noite. Em paralelo, Israel teria atacado um prédio associado ao órgão que conduz a eleição, na cidade iraniana de Qom. Segundo o NYT, a agência Fars informou que o local estava vazio.
Além de Mojtaba, outros nomes circulam como alternativas. Entre eles, Alireza Arafi — clérigo e jurista descrito como líder supremo interino — e Seyed Hassan Khomeini, neto do aiatolá Ruhollah Khomeini, fundador da Revolução Islâmica. Ambos, de acordo com o jornal, são vistos como figuras mais moderadas. Ainda assim, a emissora Iran International afirmou, com base em fontes, que Mojtaba teria sido escolhido após pressão da Guarda Revolucionária — dado que, até o momento, não teria confirmação oficial.
Para o especialista Vali Nasr, da Universidade Johns Hopkins, a eventual ascensão de Mojtaba seria um movimento inesperado. Ele disse ao NYT que o nome do filho de Khamenei já foi apontado no passado como sucessor natural, mas perdeu espaço nos últimos anos; caso volte ao centro e vença, o gesto indicaria que um setor mais duro da Guarda Revolucionária consolidou o comando do regime.

