A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou recursos ao Supremo Tribunal Federal (STF) para derrubar as restrições impostas ao parlamentar e retirar o ministro Alexandre de Moraes da condução do inquérito que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. Os pedidos também incluem a transferência do processo para o ministro André Mendonça.
Os advogados contestam a determinação que resultou no cancelamento dos passaportes brasileiros de Flávio, na exigência de entrega de seu documento italiano e na proibição de contato com outros investigados. A defesa sustenta que as medidas foram adotadas sem elementos suficientes para demonstrar risco concreto de fuga ou participação do senador nas supostas irregularidades financeiras.
A investigação da Polícia Federal examina possíveis relações empresariais entre Flávio e Willer Tomaz, incluindo movimentações financeiras relacionadas a empresas do setor de apostas. Os investigadores procuram esclarecer se estruturas societárias teriam sido utilizadas para ocultar recursos de origem ilícita.
Outro ponto da ofensiva jurídica envolve a atuação de Alexandre de Moraes. A defesa argumenta que o magistrado deveria ser considerado impedido ou suspeito por possíveis conexões com uma aeronave mencionada no inquérito. Segundo os advogados, o ministro e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, utilizaram um avião executivo relacionado a empresas que aparecem nas apurações, incluindo negócios associados ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Os representantes do senador também defendem que André Mendonça assuma o processo, alegando que parte das informações utilizadas na investigação teria origem em procedimentos relacionados às fraudes no INSS, atualmente sob responsabilidade do ministro.
A disputa judicial ocorre depois da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, em 27 de outubro, dois dias após sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial. Segundo a Polícia Federal, o parlamentar deixou o território nacional pela fronteira com a Argentina e seguiu para os Estados Unidos, acompanhado da esposa e das filhas, apesar da determinação judicial que o proibia de viajar.
A corporação informou que os passaportes brasileiros foram cancelados e que investiga as circunstâncias da saída do senador. A própria PF esclareceu, entretanto, que o descumprimento das restrições documentais não caracteriza automaticamente a condição jurídica de foragido.

