O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou em sua rede social a foto de Nicolás Maduro vendado e algemado e afirmou que o presidente venezuelano e a esposa, Cilia Flores, foram capturados após uma ação militar norte-americana em território da Venezuela. Pelas informações destacadas nas imagens, os ataques ocorreram em Caracas e também nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, segundo o governo local, que diz que explosões atingiram áreas civis e militares.
Ainda de acordo com o relato reproduzido nas capturas de tela, Trump declarou que o casal estaria a bordo do navio USS Iwo Jima, a caminho de Nova York, onde seria formalmente processado. Em entrevista à Fox News, o presidente americano repetiu que Maduro e Cilia Flores estariam “em um navio a caminho de Nova York”, onde ambos seriam “indiciados”.
O texto exibido nas fotos afirma que a acusação contra Maduro nos Estados Unidos foi apresentada em 2020 pelo Tribunal do Distrito Sul de Nova York. A procuradora-geral americana Pam Bondi é citada como fonte da informação de que Maduro responderá na Justiça dos EUA por narcotráfico e terrorismo, com julgamento prometido “em breve”, sem data. Entre os pontos listados aparecem acusações de conspiração ligada ao chamado narcoterrorismo, importação de cocaína e conspiração envolvendo metralhadoras e explosivos.
Do lado venezuelano, a reação descrita é de enfrentamento político e denúncia de violação. O governo classificou a ofensiva como “grave agressão militar” e a vice-presidente Delcy Rodríguez pediu uma “prova de vida” do casal. Também consta que Maduro assinou decreto de estado de exceção em todo o território nacional e convocou forças sociais e políticas para planos de mobilização, chamando a operação de “ataque imperialista”. Em comunicado atribuído ao governo, a agressão é apontada como ameaça à paz e à estabilidade internacionais, com risco para milhões de pessoas.
As imagens também registram declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusando Maduro de “levar drogas aos EUA” e de ser “chefe do Cartel de Los Soles”, com a própria reportagem assinalando que a afirmação aparece “sem mostrar evidências”. Entre a fotografia encenada como troféu político e a retórica de “justiça” usada por Washington, a Venezuela reage com a linguagem de soberania ferida — e o episódio escala como um teste perigoso para o direito internacional e para os limites, cada vez mais elásticos, do poder americano fora de suas fronteiras.

