O ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Franklin Martins, foi detido por autoridades migratórias do Panamá e acabou deportado para o Brasil após uma escala no país. O episódio ocorreu na última sexta-feira (6), quando Martins fazia conexão no aeroporto da Cidade do Panamá em viagem do Rio de Janeiro para a Cidade da Guatemala, onde participaria de um evento acadêmico.
Segundo relato do próprio ex-ministro, a abordagem ocorreu logo após o desembarque. Dois agentes à paisana teriam conferido o passaporte e solicitado que ele os acompanhasse até uma área reservada do aeroporto. Martins afirma que foi conduzido a uma sala fechada da imigração, onde permaneceu por cerca de quatro horas sem receber explicações claras sobre o procedimento.
Durante esse período, ele foi submetido a um questionário com dados pessoais e histórico de viagens. Também teve fotografias registradas e as impressões digitais coletadas mais de uma vez. De acordo com o relato enviado ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil, os agentes panamenhos não apresentaram justificativa formal para a retenção.
A situação teria começado após autoridades locais questionarem Martins sobre uma prisão ocorrida em 1968, durante o regime militar brasileiro. Na ocasião, ele afirmou às autoridades que havia sido detido por razões políticas, em um contexto de repressão da ditadura. “Respondi que havia sido preso por motivos políticos. O Brasil vivia sob uma ditadura militar e a resistência era um dever dos democratas”, relatou.
Após as horas de retenção, Martins foi informado de que não poderia seguir viagem e acabou deportado diretamente ao Brasil. Segundo ele, a decisão foi tomada sem explicação detalhada.
O Itamaraty informou que entrou em contato com o governo panamenho para esclarecer o episódio. Após a manifestação diplomática brasileira, o chanceler do Panamá teria reconhecido que houve um “equívoco da imigração” e afirmou que o ex-ministro brasileiro é bem-vindo ao país.
O caso também levantou questionamentos sobre os critérios utilizados por autoridades migratórias na região. Nos últimos anos, Panamá e Estados Unidos ampliaram a cooperação em temas de migração e segurança interna. Desde 2024, o governo norte-americano fornece apoio logístico e financeiro para operações de deportação de pessoas que entram irregularmente em países da América Central.
Franklin Martins também tem restrição de entrada nos Estados Unidos por causa de sua participação no sequestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, ocorrido em 1969, durante a ditadura militar no Brasil. O episódio terminou com a libertação do diplomata após o regime militar aceitar trocar o refém pela libertação de presos políticos.
Apesar do histórico, Martins sustenta que sua viagem ao Panamá era apenas uma conexão internacional e que não havia motivo para impedimento de trânsito. O episódio agora deve ser objeto de esclarecimentos diplomáticos entre Brasília e a Cidade do Panamá.

