Gabriel Azevedo é uma das figuras mais interessantes da política mineira desta eleição porque sua candidatura parte de uma ideia que parece simples, mas que raramente orienta o debate público: Minas Gerais precisa ser pensada a partir de Minas Gerais, de seus 853 municípios, de suas diferenças regionais, de sua economia múltipla e de uma administração capaz de chegar onde o Estado quase sempre chega tarde.
Professor, advogado, ex-vereador de Belo Horizonte e ex-presidente da Câmara Municipal da capital, Gabriel chega à disputa pelo Governo de Minas pelo MDB com uma trajetória construída no Legislativo, na gestão pública e no debate institucional, procurando se apresentar como uma alternativa de centro, menos dependente da polarização nacional e mais concentrada em planejamento, responsabilidade fiscal, infraestrutura e qualidade dos serviços públicos.
Sua proposta de descentralização talvez seja o melhor retrato dessa visão, porque parte da criação de estruturas regionais de governo para aproximar decisões administrativas do interior, reduzir a concentração da máquina estadual em Belo Horizonte e permitir que diferentes regiões tenham maior capacidade de participar da definição de suas prioridades.
Na infraestrutura, Gabriel defende a presença permanente da engenharia dentro do governo, critica obras iniciadas sem planejamento técnico suficiente e sustenta maior atenção às rodovias e às ferrovias mineiras, associando desenvolvimento a planejamento e não apenas à inauguração de projetos.
Seu programa também apresenta propostas para educação, segurança, saúde, mineração, gestão das águas, agricultura, cultura e desenvolvimento regional, num desenho que procura combinar equilíbrio das contas públicas com presença do Estado e capacidade de investimento.
Talvez seja justamente esse o ponto que torna sua candidatura digna de atenção: Gabriel Azevedo não tenta reduzir Minas a uma frase de efeito, porque parece compreender que um Estado desse tamanho exige conhecimento, método, escuta e uma visão administrativa que consiga enxergar ao mesmo tempo Belo Horizonte, o Vale do Jequitinhonha, o Triângulo, a Zona da Mata, o Norte, o Sul e cada município que raramente aparece no centro da discussão política.
Em uma eleição marcada por personagens de grande exposição nacional, Gabriel procura ocupar outro espaço, o de quem deseja discutir governo antes de espetáculo, projeto antes de confronto e Minas antes das disputas importadas de Brasília, e somente por isso sua presença já amplia a qualidade do debate que o eleitor mineiro terá diante de si em outubro.
Fabrício Correia é escritor, historiador e analista político. Responsável pela equipe da agência Conversa de Bastidores, escreve regularmente nesse espaço.

