O governo federal anunciou nesta terça-feira (27) a continuidade, por mais 30 dias, do subsídio de R$ 2,12 por litro de óleo diesel. A iniciativa busca amenizar os efeitos da instabilidade no mercado internacional de petróleo, reduzir a pressão sobre os custos internos e preservar a regularidade do abastecimento nacional.
A renovação tem impacto direto sobre o agronegócio brasileiro, cuja operação depende do combustível em diferentes etapas da produção. Tratores, colheitadeiras e demais máquinas agrícolas utilizam diesel nas lavouras, enquanto caminhões garantem o transporte de fertilizantes, sementes, defensivos e produtos destinados ao mercado consumidor.
De acordo com dados do Balanço Energético Nacional 2026, a atividade agropecuária consumiu aproximadamente 9,3 bilhões de litros de diesel em 2025. Para este ano, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que a demanda total brasileira pelo combustível chegue a 72,4 bilhões de litros.
O peso do diesel nas despesas do campo é significativo. Um levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) aponta que uma elevação de R$ 0,25 por litro pode representar um acréscimo de cerca de R$ 1,3 bilhão nos custos do agronegócio nacional.
Além das despesas nas propriedades rurais, as oscilações do combustível afetam o transporte das safras até os centros de distribuição, as indústrias e os portos. Esse efeito em cadeia pode pressionar o valor dos fretes e contribuir para o encarecimento dos alimentos.
Segundo as estimativas divulgadas, a extensão do benefício deverá custar R$ 1,6 bilhão durante o novo período de vigência. Os recursos serão compensados por receitas extraordinárias vinculadas ao petróleo. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) acompanha a execução da política de subvenção.

