A decisão dos Estados Unidos de suspender os serviços consulares no Brasil nesta sexta-feira (2), a dois dias das eleições, provocou preocupação e desconfiança dentro do governo brasileiro.
A medida alcança a Embaixada norte-americana em Brasília e os consulados instalados no país. A justificativa apresentada foi a existência de preocupações com segurança, mas o governo dos Estados Unidos não detalhou publicamente a natureza das ameaças nem informou quando o atendimento será retomado.
Funcionários da representação diplomática em Brasília também receberam orientação para trabalhar de casa. A Austrália adotou medida semelhante e fechou temporariamente sua embaixada na capital federal.
No Palácio do Planalto, a avaliação é de que qualquer ameaça contra representações estrangeiras precisa ser apurada pelas forças de segurança, mas o momento escolhido para a suspensão despertou atenção, principalmente pela proximidade do primeiro turno e pelo ambiente de tensão nas relações entre Brasília e Washington.
A preocupação aumentou após a divulgação de informações sobre recursos de US$ 1 milhão provenientes dos Estados Unidos destinados a uma iniciativa relacionada ao debate sobre decisões do Supremo Tribunal Federal. A Advocacia-Geral da União pediu investigação para esclarecer quem teria recebido os valores no Brasil e se ocorreu alguma irregularidade.
Integrantes do governo brasileiro consideram necessário acompanhar os acontecimentos com cautela diante das suspeitas de possíveis tentativas de interferência estrangeira no processo eleitoral.
O governo norte-americano sustenta que a suspensão dos serviços foi motivada exclusivamente por questões de segurança e informou que mantém contato com autoridades brasileiras.
Até o momento, não foi apresentada comprovação de que o fechamento temporário das representações diplomáticas esteja relacionado diretamente às eleições brasileiras.

