Foto: Reprodução

Haakon VIII assume o trono da Noruega após morte de Harald V

A Noruega iniciou nesta sexta-feira (28) um novo capítulo de sua monarquia com a ascensão de Haakon VIII, de 53 anos, ao trono após a morte de seu pai, o rei Harald V, aos 89 anos.

Preparado durante décadas para assumir a Coroa, Haakon chega ao posto em um período particularmente delicado para a Casa Real, marcado pela redução do apoio popular à instituição e por episódios envolvendo integrantes de sua família que ganharam ampla repercussão no país.

Com a mudança no trono, Ingrid Alexandra, filha mais velha do novo rei, torna-se princesa herdeira e passa a ocupar o primeiro lugar na linha sucessória. Haakon já vinha desempenhando parte das responsabilidades do pai e atuou como regente em diferentes ocasiões durante os períodos de afastamento de Harald por problemas de saúde.

A monarquia norueguesa possui caráter constitucional e o soberano exerce essencialmente funções representativas, enquanto as decisões políticas cabem ao Parlamento e ao governo. Mesmo sem poder executivo, a família real conserva importante presença institucional e diplomática dentro e fora do país.

Haakon nasceu em 1973 e é o segundo filho de Harald e Sonja, sendo mais novo que a irmã, Märtha Louise. Apesar disso, tornou-se herdeiro porque as antigas regras sucessórias favoreciam descendentes homens. A legislação posteriormente passou a garantir prioridade ao primogênito independentemente do sexo, mas a alteração não modificou a posição dos irmãos.

O novo rei teve formação acadêmica e militar diversificada, estudou ciência política na Universidade da Califórnia, em Berkeley, concluiu estudos de pós-graduação na London School of Economics e passou pela Academia Naval Real da Noruega, além de receber preparação ligada à diplomacia. Fora das obrigações oficiais, tornou-se conhecido pelo interesse por esportes como surfe e esqui e pela proximidade com a música contemporânea.

Sua vida pessoal também acompanhou transformações na própria percepção pública da realeza. Haakon conheceu Mette-Marit Tjessem Høiby em 1999 e enfrentou resistência quando decidiu assumir o relacionamento com uma mulher que não pertencia à aristocracia, era mãe solteira e possuía uma história pessoal considerada controversa por setores da sociedade norueguesa. Com a aprovação de Harald V, os dois se casaram em agosto de 2001, na Catedral de Oslo, e tiveram Ingrid Alexandra e Sverre Magnus.

Nos últimos anos, entretanto, acontecimentos relacionados à família de Mette-Marit atingiram a imagem da Casa Real. Marius Borg Høiby, filho dela de um relacionamento anterior e enteado de Haakon, foi condenado em junho a quatro anos de prisão, inclusive por crimes de estupro, agressão e abuso em relacionamento íntimo. A defesa anunciou recurso.

Mette-Marit também enfrentou questionamentos públicos por contatos mantidos no passado com Jeffrey Epstein, financista americano condenado por crimes sexuais. Ela pediu desculpas pela relação e declarou ter cometido um erro ao manter contato com ele. A nova rainha não responde a acusações criminais relacionadas ao caso.

Sua condição de saúde igualmente afetou a agenda da família real. Diagnosticada em 2018 com uma doença pulmonar crônica, Mette-Marit reduziu compromissos oficiais em diferentes períodos e recebeu um transplante de pulmão em junho deste ano.

Outro foco de desgaste envolve Märtha Louise, irmã do novo rei, que deixou de exercer funções oficiais em nome da Casa Real em 2022 e se casou, dois anos depois, com o americano Durek Verrett, conhecido por se apresentar como xamã e defensor de práticas alternativas de cura.

Esses episódios contribuíram para um cenário no qual a monarquia permanece majoritariamente aceita, mas já não desfruta dos mesmos índices de aprovação registrados anteriormente. Uma pesquisa do Dagbladet apontou apoio de 68% à manutenção do regime monárquico no fim de 2022, enquanto levantamento da NRK havia registrado 81% em 2017.

Haakon VIII recebe, portanto, uma Coroa historicamente sólida, mas submetida a um escrutínio público crescente. Seu desafio será preservar a relevância de uma instituição com raízes que remontam à formação do reino norueguês e, ao mesmo tempo, reconstruir a confiança em uma família real que chega à nova era cercada por questões pessoais, judiciais e institucionais.

A sucessão também projeta o futuro da monarquia para uma nova geração: depois de Haakon, a primeira na linha do trono é Ingrid Alexandra, representante de uma regra sucessória que já não distingue homens e mulheres e símbolo de uma Coroa que precisará encontrar seu lugar em uma sociedade cada vez menos disposta a separar tradição, vida privada e responsabilidade pública.

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