Foto: Senado Federal

Emendas milionárias expõem possível vínculo entre senador Marcelo Castro e construtora da família

Uma sequência de emendas parlamentares destinadas a obras rodoviárias no Piauí colocou o senador Marcelo Castro (MDB-PI) diante de uma relação familiar que chama atenção pelo volume de dinheiro público envolvido: R$ 74 milhões em recursos apoiados pelo parlamentar foram destinados às etapas finais da PI-391, em Uruçuí, executadas pela Construtora Jurema, empresa pertencente a seu irmão, João Costa e Castro.

O dinheiro não foi formalmente destinado pelo senador à empresa, mas às obras posteriormente contratadas pelo poder público, distinção importante para compreender o caso, embora a dimensão dos números amplie os questionamentos sobre a proximidade entre decisões políticas, contratos governamentais e interesses familiares.

Os R$ 74 milhões correspondem a R$ 19 milhões destinados à segunda etapa e outros R$ 55 milhões à terceira fase da rodovia. Considerando as três etapas, a Jurema soma aproximadamente R$ 167 milhões em contratos relacionados à estrada e, desde 2019, acumulou quase R$ 2 bilhões em contratos com o governo piauiense, de acordo com dados do Tribunal de Contas do Estado reunidos pela reportagem original.

O cruzamento das informações revela uma relação ainda mais ampla: pelo menos R$ 179 milhões recebidos pela construtora tiveram origem em emendas parlamentares e, em diferentes situações identificadas, R$ 124 milhões vinculados à atuação política de Marcelo Castro foram ou deverão ser empregados em contratos executados pela empresa de seu irmão.

A conexão familiar alcança também outra geração. José Dias de Castro Neto, filho do senador e atualmente deputado federal, dirigiu o Departamento de Estradas de Rodagem do Piauí entre 2017 e 2022 e, durante sua gestão, assinou cinco contratos com a Jurema, num total aproximado de R$ 130 milhões. Em um deles, de R$ 39,6 milhões, sobrinho e tio figuraram em lados distintos do mesmo documento: Castro Neto pelo órgão público e João Costa e Castro pela construtora. A legislação então vigente permitia a situação, hoje submetida a restrições pela nova Lei de Licitações.

Marcelo Castro rejeita a interpretação de que tenha beneficiado diretamente a empresa do irmão. O senador argumenta que as emendas de comissão são coletivas, que parlamentares indicam recursos para determinadas obras, mas não escolhem as empresas vencedoras, e que a contratação da Jurema ocorreu por licitação conduzida pelo poder público. O governo do Piauí também sustenta que a concorrência relacionada à PI-391 respeitou as normas legais e teve ampla publicidade.

 

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