A Colômbia caminha para uma das disputas presidenciais mais polarizadas de sua história recente. Com a apuração praticamente concluída, o senador e filósofo Iván Cepeda, representante do campo progressista ligado ao presidente Gustavo Petro, e o advogado Abelardo de la Espriella, nome da direita radical colombiana, garantiram vaga no segundo turno marcado para 21 de junho.
A diferença entre os dois candidatos foi mínima, refletindo um país dividido entre a continuidade das transformações sociais iniciadas pelo atual governo e uma proposta de ruptura baseada no endurecimento da segurança pública, na defesa da livre iniciativa e na redução da presença do Estado na economia.
Iván Cepeda construiu sua trajetória política em torno da defesa dos direitos humanos, da memória das vítimas do conflito armado e dos processos de paz que marcaram as últimas décadas do país. Filho do dirigente político Manuel Cepeda Vargas, assassinado nos anos 1990, viveu períodos de exílio e transformou sua experiência pessoal em uma atuação pública voltada à reconciliação nacional. Sua candidatura representa a continuidade das políticas sociais implementadas por Gustavo Petro, com propostas voltadas ao combate à pobreza, ampliação do acesso à educação superior, fortalecimento da saúde pública e redução das desigualdades históricas que ainda marcam a sociedade colombiana.
Do outro lado está Abelardo de la Espriella, advogado e empresário que surgiu como uma das principais vozes da nova direita latino-americana. Com forte presença nas redes sociais e discurso centrado em segurança, combate à corrupção e valorização da iniciativa privada, tornou-se referência para eleitores que consideram insuficientes os resultados das atuais políticas de enfrentamento ao crime organizado. Admirador declarado de líderes como Nayib Bukele, Donald Trump e Javier Milei, defende uma atuação mais rígida das forças de segurança e promete recuperar o controle de regiões dominadas por grupos armados e organizações ligadas ao narcotráfico.
O resultado do primeiro turno revelou um cenário em que o centro político perdeu espaço, enquanto as candidaturas mais identificadas com projetos claramente definidos passaram a concentrar as preferências do eleitorado. A disputa agora se transforma em um confronto direto entre duas visões de país: uma baseada na ampliação das políticas sociais e na busca de soluções negociadas para os conflitos internos; outra ancorada no fortalecimento da autoridade estatal, no crescimento econômico impulsionado pelo mercado e no endurecimento das estratégias de segurança.

