A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) continua presa em Roma desde 29 de julho, enquanto aguarda a tramitação do processo de extradição, que pode se prolongar por até um ano. A defesa argumenta que seu quadro clínico, marcado por problemas cardíacos, histórico de tumor cerebral e distúrbios neurológicos e psiquiátricos, tornaria impossível a permanência em regime fechado. Médicos contratados pelos advogados afirmam que a parlamentar enfrenta “adoecimentos graves” e necessita de acompanhamento multidisciplinar permanente, o que justificaria sua transferência para prisão domiciliar.
A Justiça italiana, no entanto, sustenta outra posição. Laudo médico de 19 páginas, elaborado a pedido da Corte de Apelação de Roma pela especialista Edy Febi, concluiu que o estado de saúde da deputada é compatível com o encarceramento. Segundo o documento, os tratamentos necessários podem ser realizados dentro da penitenciária feminina de Rebibbia, onde Zambelli está detida, e até mesmo uma transferência aérea ao Brasil poderia ocorrer sem risco grave, desde que observadas as orientações médicas.
O parecer registra episódios de depressão e dificuldades de sono, mas descarta risco iminente de morte e não identifica comportamentos autolesivos. Zambelli, de acordo com a perícia, apresentou-se lúcida e adequada nas entrevistas clínicas, embora precise de acompanhamento psiquiátrico regular. A avaliação só foi determinada após a deputada passar mal durante uma audiência em 13 de agosto, fato que levou os magistrados a solicitar esclarecimentos sobre seu quadro de saúde.
Mesmo diante das conclusões oficiais, a defesa insiste na tese de que o histórico clínico da parlamentar inviabiliza sua permanência em regime fechado e reforça os pedidos de liberdade provisória ou prisão domiciliar. A Corte de Apelação de Roma deverá analisar novamente o caso nos próximos dias.