LA saída de seis dos oito deputados estaduais do PSDB na Assembleia Legislativa de São Paulo para o PSD provocou um abalo direto no já fragilizado campo do centro político e colocou Gilberto Kassab no epicentro da crise. Presidente do PSD e secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado, Kassab foi alvo de críticas duras da cúpula tucana, que classificou o movimento como uma ação de cooptação “desrespeitosa” e politicamente predatória.
Para o presidente do PSDB paulista, Paulo Serra, a articulação liderada por Kassab compromete qualquer tentativa de reorganização de um projeto nacional de centro. Em declaração pública, Serra afirmou que o episódio representa um “canibalismo” dentro da própria base do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), sem qualquer ganho estratégico para o campo político que sustenta o Palácio dos Bandeirantes.
Com a debandada, o PSDB fica reduzido a apenas duas deputadas na Alesp, Bruna Furlan e Carla Morando, evidenciando o esvaziamento da legenda que já foi protagonista da política paulista por décadas. O movimento também atinge o Cidadania, que perde Dirceu Dalben e passa a contar apenas com Ana Carolina Serra e Ortiz Junior. Em sentido oposto, o PSD de Kassab salta para 12 parlamentares, tornando-se a terceira maior bancada da Casa, atrás apenas do PL e do PT.
O fortalecimento do PSD amplia o peso político de Kassab no governo estadual, mas também tensiona sua relação com Tarcísio. Um dos principais fiadores da candidatura do governador em 2022, Kassab chegou a ser cogitado como possível vice em uma eventual tentativa de reeleição. No entanto, declarações recentes do dirigente — ao diferenciar gratidão política de “submissão” ao ex-presidente Jair Bolsonaro — causaram desconforto no Palácio dos Bandeirantes e esfriaram qualquer especulação nesse sentido.
Publicamente, Tarcísio minimizou o episódio e afirmou que permanecer em São Paulo não tem relação com submissão política, além de reiterar que a definição sobre o vice será feita apenas mais adiante. Ainda assim, o episódio deixa claro que o avanço do PSD sob o comando de Kassab não ocorre sem custos e revela fissuras internas em uma base que, até aqui, se sustentava mais pelo pragmatismo do que por afinidade política real.
A crise expõe um redesenho silencioso do poder em São Paulo, no qual Kassab amplia território, o PSDB tenta sobreviver e o governo estadual passa a conviver com disputas internas que tendem a ganhar intensidade conforme 2026 se aproxima.

