O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira (8) a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral realizada pelo instituto Atlas em parceria com a Bloomberg, que indicava redução nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A decisão atende parcialmente a uma ação apresentada pela equipe política do senador. Os advogados argumentaram que a formulação do questionário poderia ter influenciado os entrevistados ao associar o nome de Flávio Bolsonaro a temas e personagens capazes de gerar avaliações negativas antes da coleta das opiniões eleitorais.
Segundo a representação, a sequência das perguntas e as referências envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master teriam criado um ambiente favorável à distorção das respostas, comprometendo a neutralidade da pesquisa.
Ao analisar o caso, Kassio Nunes Marques entendeu que existem elementos suficientes para indicar a possibilidade de interferência indevida na percepção dos entrevistados. Para o ministro, a estrutura adotada no questionário pode ter produzido estímulos capazes de influenciar avaliações posteriores sobre imagem pública, rejeição e intenção de voto.
Na decisão, o magistrado ressaltou que a discussão não se concentra apenas em divergências metodológicas, mas na eventual utilização de mecanismos que possam induzir respostas, especialmente em razão da ordem das perguntas e do emprego de expressões com potencial carga negativa.
A pesquisa havia sido divulgada em maio e passou a ser questionada pela defesa do senador após a publicação dos resultados. O mérito da ação ainda deverá ser analisado pelo Tribunal.

