A candidata Keiko Fujimori foi proclamada oficialmente presidente eleita do Peru nesta sexta-feira (3), encerrando uma das disputas presidenciais mais apertadas da história recente do país, marcada por semanas de contestação, denúncias de fraude sem apresentação de provas, protestos nas ruas e revisão de votos questionados pelo órgão eleitoral peruano.
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko venceu o segundo turno realizado em 7 de junho com 50,135% dos votos, contra 49,865% do senador de esquerda Roberto Sánchez, numa diferença de cerca de 50 mil votos em um universo aproximado de 18 milhões de eleitores, resultado que encerra, na quarta tentativa presidencial, uma trajetória marcada por derrotas anteriores em disputas igualmente tensas.
A vitória representa uma virada política para Keiko, derrotada em 2021 por Pedro Castillo por margem próxima de 45 mil votos, e recoloca o fujimorismo no centro do poder peruano, agora sob o peso de um país fragmentado, com Congresso dividido, forte desigualdade entre Lima e as regiões rurais e sucessivas crises institucionais que levaram a uma rotatividade incomum na Presidência.
Sánchez, visto como herdeiro político de Castillo por parte do eleitorado de esquerda, afirmou que não reconhecerá o governo de Keiko Fujimori e levou a contestação do resultado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, enquanto seus apoiadores concentraram força nas áreas rurais; Keiko, por sua vez, cresceu na região de Lima e teve desempenho expressivo entre os votos de peruanos no exterior, fator decisivo para a vantagem final.
A posse está prevista para 28 de julho, quando Keiko se tornará a décima pessoa a ocupar a Presidência peruana desde 2016, sucedendo o presidente interino José Balcazar, que assumiu em fevereiro após nova sequência de destituições presidenciais motivadas por acusações de corrupção ou abuso de poder.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumprimentou Keiko pela vitória, apesar da distância ideológica entre os dois governos, e afirmou que pretende avançar numa agenda bilateral voltada a comércio, investimentos, integração logística e digital, combate à fome, proteção da Amazônia e enfrentamento ao crime organizado transnacional.
A eleição também foi saudada por lideranças conservadoras da América Latina, entre elas Javier Milei, José Antonio Kast e Nayib Bukele, além do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que sinalizou interesse em aprofundar a cooperação com o futuro governo peruano nas áreas de segurança, investimentos e comércio.
Nos mercados, a confirmação da vitória de Keiko foi recebida como sinal de continuidade econômica, sobretudo no setor de mineração, estratégico para o Peru, terceiro maior produtor mundial de cobre, mas o maior desafio da presidente eleita será transformar uma vitória aritmética, conquistada no fio da navalha, em capacidade real de governo num país acostumado a derrubar presidentes antes que eles consigam completar o mandato.
