O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, voltaram a conversar na noite desta terça-feira (4), encerrando um período de cerca de três meses de distanciamento político. A relação entre os dois ficou estremecida após o Senado rejeitar, no fim de abril, a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.
A reunião ocorreu na residência do ministro Alexandre de Moraes e contou também com a participação do ministro Cristiano Zanin. Conforme relatos de pessoas informadas sobre o encontro, não foi discutida uma eventual reapresentação do nome de Messias. Lula teria afirmado que qualquer decisão sobre uma nova indicação ao Supremo somente será tomada depois das eleições de outubro.
A reaproximação foi articulada por integrantes da base governista no Senado. Lideranças petistas vinham alertando o presidente sobre os prejuízos causados pela falta de diálogo com o comando da Casa, especialmente diante de projetos considerados prioritários pelo Palácio do Planalto.
Lula resistia ao encontro por entender que Alcolumbre teve participação na derrota de Messias. Mesmo contrariado, o presidente concordou em retomar as conversas para evitar que o impasse pessoal prejudicasse a votação de matérias de interesse do governo.
Entre os temas mencionados está a proposta que pretende acabar com a escala de trabalho 6×1. O texto já passou pela Câmara, mas permanece sem avanço no Senado. Durante a conversa, Lula ressaltou a importância da medida, enquanto Alcolumbre sinalizou que o assunto poderá voltar à pauta depois das eleições.
Nos bastidores, aliados afirmam que o presidente do Senado vinha utilizando a tramitação da proposta como instrumento de pressão para restabelecer o diálogo com o Executivo. Como o Congresso funcionará por apenas duas semanas durante o recesso, a expectativa é que o projeto não seja analisado imediatamente.
Apesar de não ter produzido acordos sobre votações ou prazos, o encontro foi considerado importante para restabelecer os canais entre o Palácio do Planalto e a direção do Senado. Novas conversas deverão ocorrer nas próximas semanas, inclusive durante o período de recesso parlamentar.
O resultado dessa articulação também poderá influenciar a maneira como o PT tratará, durante a campanha eleitoral, a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1.
Alcolumbre nega ter atuado contra Messias, mas senadores atribuem a ele participação direta na rejeição, considerada uma das maiores derrotas recentes do governo no Congresso. Uma das interpretações é que o senador buscou aproximar-se de setores da oposição em um momento de desgaste eleitoral de Lula.
A tentativa, porém, não garantiu o apoio do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O PL trabalha com os nomes de Rogério Marinho e Tereza Cristina para a presidência do Senado, sem demonstrar disposição para apoiar a permanência de Alcolumbre no comando da Casa.
Antes da reunião, o senador teria solicitado ao menos três vezes, por meio de interlocutores, uma conversa com Lula. Alcolumbre sustenta que a rejeição de Messias refletiu uma decisão coletiva dos senadores, muitos dos quais defendiam a indicação do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco para o Supremo.

