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Lula promete governar para todos, respeitar o Congresso e ampliar participação popular após vitória histórica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na noite deste domingo (25), após conquistar seu quarto mandato presidencial, que pretende governar respeitando a Constituição, dialogando com o Congresso Nacional e ampliando a participação da sociedade nas decisões do governo. Em seu primeiro pronunciamento depois da vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL), o petista atribuiu o resultado à mobilização popular e declarou que a eleição representou uma derrota da mentira e do negacionismo.

Lula reconheceu que enfrentará dificuldades políticas diante da composição conservadora do Legislativo, mas descartou qualquer possibilidade de desconsiderar a escolha dos eleitores para a Câmara dos Deputados e o Senado. Segundo o presidente, a relação entre os Poderes deverá respeitar a legitimidade conferida pelas urnas a todos os representantes eleitos.

O petista também afirmou que seu governo não será destinado exclusivamente aos brasileiros que votaram nele. A declaração ocorreu após uma das disputas presidenciais mais acirradas da história recente, marcada pela polarização e por uma virada inédita entre o primeiro e o segundo turno.

Durante o pronunciamento, Lula admitiu que a campanha lhe proporcionou aprendizados e anunciou a intenção de modificar aspectos da administração federal. Entre as mudanças mencionadas estão a ampliação dos mecanismos de participação popular e o fortalecimento da comunicação direta com a sociedade, especialmente por meio das plataformas digitais.

A mobilização dos jovens recebeu atenção especial. O presidente agradeceu aos eleitores que participaram das manifestações públicas e das campanhas organizadas pela internet, destacando também a presença dos idosos nas urnas.

Um dos homenageados foi o deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pela criação do canal de WhatsApp conhecido como “Exército do Lula”, que ultrapassou 10 milhões de participantes durante a campanha. A iniciativa tornou-se um dos principais instrumentos de mobilização digital da candidatura no segundo turno.

Lula também criticou a atuação das grandes plataformas tecnológicas no processo eleitoral. Segundo ele, a influência dessas empresas sobre a circulação de informações exige regras que assegurem maior responsabilidade no ambiente digital. O presidente reafirmou sua disposição de defender medidas de regulamentação das redes sociais.

No campo administrativo, anunciou que pretende ampliar os investimentos no Sistema Único de Saúde, com atenção especial ao diagnóstico e ao tratamento do câncer. A educação também apareceu entre as prioridades, com a promessa de expansão das universidades públicas e de universalização do programa Pé-de-Meia para estudantes do ensino médio.

Outra proposta mencionada foi o desenvolvimento de uma estrutura nacional de inteligência artificial, apresentada como parte da estratégia de fortalecimento da capacidade tecnológica brasileira.

O discurso teve momentos de confronto político. Lula dirigiu críticas a Flávio Bolsonaro, associando o adversário ao milicianismo e afirmando que os debates eleitorais foram marcados por episódios que considerou constrangedores. As declarações refletem a avaliação política do presidente sobre a campanha e seu oponente.

Apesar das críticas, Lula defendeu a necessidade de convivência institucional e afirmou que o país deverá ser conduzido dentro dos limites estabelecidos pela Constituição. Em vez de recorrer a um apelo genérico à unidade nacional, ressaltou a importância de preservar relações civilizadas entre os brasileiros, mesmo diante das divergências políticas.

Antes do pronunciamento presidencial, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) falou aos apoiadores e destacou a participação de mulheres, jovens e idosos na campanha. Alckmin também manifestou reconhecimento à trajetória política de Lula.

A vitória deste domingo encerrou uma disputa em que o presidente precisou recuperar a desvantagem registrada no primeiro turno. Em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro havia recebido 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Nas três semanas seguintes, a campanha petista intensificou a mobilização nas ruas, a atuação digital e a busca por eleitores indecisos e ausentes na primeira votação.

O segundo turno registrou redução da abstenção, com aproximadamente 30,4 milhões de eleitores deixando de comparecer às urnas. A proporção de votos brancos e nulos também diminuiu, com os votos inválidos representando 3,23% do total.

Ao encerrar sua manifestação, Lula expressou confiança na capacidade de realizar um mandato marcado por resultados e reafirmou o compromisso de melhorar o funcionamento do governo.

 

 

 

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