Conversas internas entre funcionários da Meta registram problemas que prejudicaram a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Instagram e recomendações indevidas de perfis ligados a Flávio Bolsonaro (PL). As mensagens revelam preocupação com as consequências jurídicas dos episódios e com a demora na solução das falhas.
Em 9 de outubro, a conta oficial de Lula ficou quase 24 horas sem conseguir impulsionar publicações do feed. Anúncios anteriores permaneceram ativos, e outras modalidades de publicidade continuaram disponíveis. A campanha estima que a restrição tenha impedido os anúncios de alcançar aproximadamente 1,3 milhão de pessoas.
Os registros também apontam que o perfil de Flávio aparecia em recomendações de busca, enquanto o de Lula chegou a não ser localizado mesmo com a digitação do nome exato.
A Meta nega interferência eleitoral e afirma que os episódios decorreram de problemas técnicos e da aplicação das normas brasileiras. As conversas examinadas não contêm admissão de manipulação deliberada, e também registram dificuldades enfrentadas pela campanha de Flávio.
Na quinta-feira (15), o ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou que a empresa assegure tratamento igualitário às duas candidaturas, sob pena de multa diária de R$ 500 mil.
A decisão tem caráter preventivo e não reconhece a existência de favorecimento intencional. Permanecem autorizadas medidas decorrentes de ordens judiciais, das regras eleitorais e de políticas previamente divulgadas pela plataforma, desde que aplicadas igualmente aos candidatos.

