Foto: Reprodução

Mensagens revelam que Hugo Motta usava casa de Vorcaro em Brasília

Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro mostram que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), utilizou em diferentes ocasiões uma residência ligada ao ex-dono do Banco Master no Lago Sul, área nobre de Brasília, inclusive quando o banqueiro não estava na capital federal.

Os registros indicam que o acesso ao imóvel começou a ser combinado diretamente entre Motta e Vorcaro em maio de 2025, poucos meses depois de o parlamentar assumir a Presidência da Câmara, quando o banqueiro forneceu o contato do funcionário responsável pela residência para que as visitas fossem organizadas.

A partir daquele período, o funcionário passou a comunicar Vorcaro sobre a presença de Motta no local, com registros nos dias 24 de junho, 28 de agosto, 5, 18 e 25 de setembro e 17 de novembro de 2025, mas as conversas divulgadas não esclarecem a finalidade dos encontros nem informam quem acompanhava o deputado nessas ocasiões.

O último registro ocorreu justamente em 17 de novembro, data em que Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, enquanto Motta tinha uma visita prevista à residência naquela noite.

As mensagens também indicam que a relação entre os dois antecedia a chegada de Motta ao comando da Câmara, já que, em outubro de 2024, o parlamentar esteve em um apartamento utilizado por Vorcaro em São Paulo e perguntou ao banqueiro se poderia receber no local o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Outros diálogos obtidos pela PF apontam uma relação próxima entre Motta e Vorcaro e também fazem referência a um empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões concedido pelo Banco Master a uma empresa ligada à cunhada do deputado, operação sobre a qual Motta afirmou anteriormente não ter cometido qualquer irregularidade.

Procurado pelo UOL especificamente sobre o uso da residência em Brasília, Hugo Motta informou que não se manifestaria. As mensagens divulgadas registram as visitas, mas, isoladamente, não demonstram a prática de irregularidade relacionada à utilização do imóvel.

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