Foto: Divulgação

Morre Heloísa Teixeira, farol do pensamento crítico e das lutas culturais no Brasil

A literatura e o pensamento crítico brasileiros perderam uma de suas vozes mais brilhantes e combativas. Morreu nesta sexta-feira, aos 85 anos, a escritora, professora e acadêmica Heloísa Teixeira, em decorrência de uma insuficiência respiratória aguda causada por pneumonia. O velório será realizado neste sábado (29), na sede da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro, instituição onde ocupava desde 2023 a Cadeira 30, sucedendo a escritora Nélida Piñon.

Nascida em Ribeirão Preto (SP), Heloísa construiu uma trajetória marcada pela inteligência crítica, sensibilidade social e compromisso com uma cultura mais justa, plural e inclusiva. Sua eleição para a ABL foi recebida como símbolo de abertura e renovação. Entre seus pares, deixou marcas profundas não só pela capacidade intelectual, mas também pelo espírito de acolhimento e fraternidade.

Com atuação de vanguarda nas áreas de gênero, relações étnico-raciais, culturas marginalizadas e cultura digital, Heloísa influenciou de forma decisiva os estudos culturais no Brasil. Sua capacidade de antecipar transformações sociais a tornou referência incontornável para pesquisadores e pensadores contemporâneos.

Professora emérita da Escola de Comunicação da UFRJ, coordenou o Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC), espaço central do debate acadêmico e cultural nas últimas décadas. Entre suas obras mais influentes estão “26 poetas hoje” (1976), antologia que revelou a geração da poesia marginal, e “Explosão feminista” (2018), análise potente da força renovadora dos movimentos de mulheres no século XXI.

Nos últimos anos, passou a assinar como Heloísa Teixeira, deixando de usar o sobrenome Buarque de Hollanda, em um gesto de reafirmação simbólica de sua identidade e autonomia. Sua vida e obra foram retratadas recentemente no documentário “O nascimento de H. Teixeira”, lançado pelo Canal Curta! em março de 2025.

Em suas palavras, deixa um testamento ético e afetivo para as próximas gerações:

“O feminismo não é um lugar de chegada, mas um movimento constante. Uma forma de viver e olhar o mundo com olhos atentos e mãos estendidas.”

 

 

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