O pastor e ativista afro-americano Jesse Jackson morreu nesta terça-feira (17), segundo informou a família em comunicado. De acordo com a nota, ele morreu em paz, cercado por familiares.
Figura histórica do movimento por direitos civis nos Estados Unidos, Jackson construiu sua trajetória na defesa da justiça social, da igualdade racial e dos direitos humanos. Ao longo de décadas, tornou-se um dos nomes mais conhecidos da militância negra no país e ajudou a ampliar o alcance político de pautas ligadas a dignidade, representatividade e participação eleitoral.
A família descreveu o líder como alguém que “deu voz” a quem não era ouvido e ressaltou a mobilização popular impulsionada por sua atuação, especialmente no estímulo ao registro de eleitores. Jackson também ganhou projeção nacional ao disputar, duas vezes, a indicação presidencial do Partido Democrata, em 1984 e 1988. As campanhas o colocaram no centro do debate político e contribuíram para levar reivindicações da comunidade negra a um espaço mais visível dentro da agenda partidária.
Nascido em um país ainda marcado pela segregação, Jackson participou de momentos decisivos da luta por igualdade racial. Ele atuou ao lado de Martin Luther King Jr. e estava em Memphis, em 1968, quando King foi assassinado.
Nos últimos anos, o ativista enfrentou problemas de saúde. Em 2017, anunciou que convivia com a doença de Parkinson e, desde então, passou a limitar as aparições públicas. Mesmo assim, manteve posicionamentos contra a injustiça racial, já na era das mobilizações associadas ao Black Lives Matter, defendendo a continuidade da pressão social e da esperança como força política.
A trajetória de Jackson também foi marcada por controvérsias. Entre elas, episódios envolvendo declarações consideradas ofensivas na década de 1980 e o apoio público ao cantor Michael Jackson, de quem era próximo, durante o julgamento de 2005 por acusações de abuso sexual de menores.

