O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro, em decorrência de uma pneumonia. A morte foi confirmada pela família e pela Academia Brasileira de Letras (ABL), instituição que integrava desde 2015.
Nascido em Além Paraíba, Minas Gerais, em 1º de junho de 1931, Zuenir construiu uma das trajetórias mais importantes da imprensa brasileira na segunda metade do século XX, acompanhando como repórter, editor, cronista e escritor acontecimentos que atravessaram a ditadura militar, a redemocratização, as transformações sociais do Rio de Janeiro e os grandes debates nacionais sobre violência, desigualdade, direitos humanos e meio ambiente.
Sua carreira começou na Tribuna da Imprensa, onde entrou como arquivista antes de chegar à redação. Depois passou por veículos como Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ, Jornal do Brasil e O Globo, ocupando diferentes funções sem abandonar uma característica que marcaria sua vida profissional: a reportagem como forma de compreender o país.
Foi também nos livros que Zuenir transformou a experiência jornalística em memória brasileira. Publicado em 1988, “1968 — O ano que não terminou” tornou-se sua obra mais conhecida, ultrapassou 400 mil exemplares e ajudou novas gerações a compreender o ambiente político e cultural que antecedeu o AI-5 e o endurecimento da ditadura. O livro também serviu de inspiração para a minissérie Anos Rebeldes.
Em “Cidade partida”, lançado em 1994, voltou-se para as fraturas sociais e a violência do Rio de Janeiro, numa obra construída a partir da observação direta e da convivência com diferentes personagens da cidade. O trabalho recebeu o Prêmio Jabuti de Reportagem e consolidou Zuenir como um dos principais nomes brasileiros do livro-reportagem.
Outro capítulo marcante de sua carreira foi a cobertura do assassinato do seringueiro e ambientalista Chico Mendes. A série de reportagens publicada pelo Jornal do Brasil lhe rendeu os prêmios Esso e Vladimir Herzog e, anos depois, deu origem ao livro “Chico Mendes — Crime e castigo”.
Em 2014, Zuenir foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, sucedendo Ariano Suassuna na Cadeira 32. Tomou posse em março de 2015, recebido pela acadêmica Cleonice Berardinelli.
Aos 95 anos, sua trajetória havia sido recentemente revisitada no documentário “Mestre Zu”, dirigido pelo amigo Zelito Viana e exibido pela ABL em maio deste ano.
Zuenir deixa a mulher, Mary Ventura, e os filhos Elisa e Mauro. O velório será realizado nesta quarta-feira (23), na sede da Academia Brasileira de Letras, no Rio, e o sepultamento ocorrerá no Mausoléu da ABL, no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

