Moscou admite nova rodada de negociações e reabre caminho diplomático para a guerra na Ucrânia

O Kremlin voltou a sinalizar nesta segunda-feira (7) que Rússia, Ucrânia e Estados Unidos poderão retomar as negociações destinadas a buscar uma saída para a guerra, embora Moscou ainda considere prematuro estabelecer quando uma nova rodada poderá ocorrer, onde seria realizada ou quais pontos estariam efetivamente colocados sobre a mesa depois de meses de avanços limitados na frente diplomática.

A manifestação ocorreu depois de uma movimentação intensa da diplomacia norte-americana durante o fim de semana, quando Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados do presidente Donald Trump, estiveram primeiro em Moscou, onde conversaram por mais de três horas com Vladimir Putin, e depois seguiram para Kyiv para uma reunião com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy, numa tentativa de recuperar um processo de negociação que perdeu força ao longo deste ano.

Porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov afirmou que Moscou não rejeita a possibilidade de restabelecer o formato trilateral envolvendo russos, ucranianos e norte-americanos, mas evitou antecipar datas, locais ou detalhes das propostas mais recentes apresentadas pelos Estados Unidos, mantendo sob reserva justamente os pontos que continuam dificultando uma aproximação entre as posições de Putin e Zelenskiy.

Apesar da ausência de um acordo concreto, o Kremlin tratou positivamente a nova ofensiva diplomática de Washington e afirmou considerar relevantes as iniciativas conduzidas pelos representantes norte-americanos, enquanto Putin já havia demonstrado reconhecimento pelos esforços de Trump para encontrar uma solução negociada para um conflito que atravessa seu quinto ano e continua produzindo ataques de grande intensidade dos dois lados.

A possibilidade de uma conversa telefônica entre Putin e Trump também permanece aberta, segundo Peskov, principalmente para que os dois presidentes avaliem os resultados das reuniões realizadas pelos enviados norte-americanos nas duas capitais, embora Moscou afirmasse ainda não ter recebido informações completas sobre o conteúdo das conversas mantidas em Kyiv.

O novo movimento não significa que um acordo esteja próximo, porque Rússia e Ucrânia continuam separadas por divergências profundas, especialmente sobre territórios ocupados e sobre as condições de segurança exigidas por Kyiv, mas a disposição manifestada pelos três lados para voltar à mesa devolve algum espaço à diplomacia num momento em que as operações militares continuam e em que qualquer avanço dependerá de concessões que, até agora, nenhuma das partes demonstrou estar pronta para fazer em extensão suficiente para encerrar a guerra.

 

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