O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, reconheceu oficialmente, na noite deste domingo (25), a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. Em pronunciamento realizado na sede da Corte, em Brasília, o magistrado destacou a legitimidade do resultado, a segurança das urnas eletrônicas e o trabalho da Justiça Eleitoral diante de uma disputa marcada pela polarização política e por decisões judiciais extraordinárias.
Nunes Marques informou que entrou em contato telefônico com os dois candidatos após a definição do resultado. Ao presidente reeleito, transmitiu os cumprimentos pela conquista de um quarto mandato presidencial, feito inédito na história política brasileira. Também reconheceu a votação obtida por Flávio Bolsonaro, que disputou pela primeira vez a Presidência da República.
Lula venceu a eleição com aproximadamente 51,8% dos votos válidos, contra 48,2% do adversário, segundo os números divulgados após a apuração. O resultado confirmou uma disputa apertada, decidida por uma diferença de pouco mais de três pontos percentuais.
Parte importante do pronunciamento foi dedicada à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a extensão do horário de votação até as 19h nas seções eleitorais que ainda estavam em funcionamento. A medida, adotada pelo ministro Cristiano Zanin, ocorreu após questionamentos sobre dificuldades de transporte de eleitores.
Segundo Nunes Marques, a determinação representou um desafio sem precedentes para a estrutura operacional da Justiça Eleitoral. O presidente do TSE explicou que a ausência de regulamentação específica para uma prorrogação dessa natureza exigiu consultas técnicas e procedimentos excepcionais para preservar a integridade da apuração.
Entre as providências adotadas esteve a suspensão temporária do recebimento dos boletins de urna, impedindo o acesso antecipado aos resultados enquanto parte do eleitorado ainda permanecia em condições de votar.
O magistrado afirmou que a decisão judicial foi integralmente cumprida e que as adaptações realizadas não comprometeram a contagem dos votos. Também esclareceu que suas observações sobre as dificuldades operacionais não constituíam uma crítica ao STF, mas uma explicação sobre o tempo necessário para implementar a medida com segurança.
Outro ponto destacado foi a participação popular. Dos mais de 158 milhões de brasileiros habilitados a votar, aproximadamente 128 milhões compareceram às urnas. A abstenção ficou em 19,21%, percentual inferior aos 21,08% registrados no primeiro turno.
O desempenho dos equipamentos também foi apresentado como indicador da estabilidade do sistema eletrônico. Das 499.248 urnas utilizadas no país, apenas 1.551 precisaram ser substituídas, o equivalente a 0,31% do total.
Nunes Marques abordou ainda o elevado número de ações judiciais relacionadas à disputa. Ao longo do processo eleitoral, o TSE recebeu 2.265 processos originários, entre representações, pedidos de direito de resposta e outras demandas. Para o ministro, o crescimento da judicialização impõe desafios à velocidade das decisões, sem afastar a necessidade de observância das garantias processuais.

