Foto: Bruno Peres – Agência Brasil

ONU diz que ação militar dos EUA na Venezuela cria “precedente perigoso”

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, declarou estar “profundamente alarmado” com a escalada de tensão entre Estados Unidos e Venezuela, após uma operação militar norte-americana em território venezuelano, neste sábado (03). Segundo agências de notícias citadas pela ONU, a ação incluiu ataques durante a madrugada em Caracas e arredores e teria resultado na suposta captura do presidente Nicolás Maduro por forças especiais dos EUA.

O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou em redes sociais que Maduro e a esposa foram retirados do país. Em seguida, a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, disse que o casal enfrentará, nos EUA, “toda a fúria da justiça americana” em tribunais americanos, com base em uma acusação datada de 2020.

Em nota, Guterres advertiu que, independentemente do cenário político interno venezuelano, os acontecimentos representam um “precedente perigoso”. O chefe da ONU reforçou a necessidade de pleno respeito ao direito internacional, incluindo a Carta das Nações Unidas, e afirmou estar profundamente preocupado com o fato de as regras internacionais não terem sido observadas no episódio.

A operação, conforme relatos de agências, levou a Venezuela a decretar estado de emergência nacional, enquanto número de vítimas e dimensão dos danos permanecem sem confirmação. O governo venezuelano classificou a ação como “agressão militar extremamente grave”, em um contexto de tensão crescente, marcado por maior presença militar norte-americana na costa venezuelana e por ações contra embarcações apontadas como ligadas ao narcotráfico, além de apreensões de navios petroleiros e sinalizações recentes de que operações terrestres poderiam ocorrer.

Ainda de acordo com a ONU, a Venezuela pediu formalmente que o Conselho de Segurança se reúna em sessão de emergência, em Nova Iorque. Guterres também conclamou os atores políticos venezuelanos a buscarem diálogo inclusivo, com respeito aos direitos humanos e ao Estado de direito.

Texto reescrito a partir de publicação da ONU News (03/01/2026).

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