O presidente da Câmara Municipal de Macapá, Pedro da Lua (União Brasil), tomou posse como prefeito em exercício na manhã desta quarta-feira (4), após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou o afastamento temporário do prefeito Dr. Furlan (PSD) e do vice Mário Neto (Podemos).
A mudança no comando do Executivo ocorre depois de Dr. Furlan e Mário Neto virarem alvo da Operação Paroxismo, da Polícia Federal, que apura suspeitas de fraude em licitação relacionada às obras do Hospital Geral Municipal de Macapá. Conforme o STF, Pedro da Lua deverá permanecer no cargo por 60 dias.
Ainda nas primeiras horas do dia, o novo prefeito interino foi notificado pela PF sobre a decisão judicial e, em seguida, seguiu para a sede da prefeitura, onde formalizou a posse.
Mandados em três estados
Nesta etapa da investigação, o STF autorizou 13 mandados, cumpridos em Macapá, além de ações em Belém (PA) e Natal (RN). Endereços associados ao prefeito afastado — incluindo locais ligados à sua atividade profissional — foram alvo de busca e apreensão.
Trajetória política do prefeito interino
Pedro da Lua acumula passagens por diferentes cargos. Ele foi suplente de deputado federal e chegou a assumir o mandato entre 2021 e 2022. Nas eleições de 2024, foi eleito vereador e, em janeiro de 2025, tornou-se presidente da Câmara de Macapá para o biênio 2025–2026, com ampla votação entre os parlamentares.
O que a PF investiga
A Operação Paroxismo apura indícios de um suposto esquema envolvendo agentes públicos e empresários, com suspeitas de direcionamento do processo licitatório, desvio de recursos e lavagem de dinheiro. O contrato sob investigação foi firmado no âmbito da Secretaria Municipal de Saúde.
A principal obra citada na apuração é a do hospital municipal, estimada em R$ 70 milhões. A suspeita é que verbas públicas — incluindo recursos de emendas parlamentares — tenham sido manipuladas e desviadas, com posterior ocultação por meio de movimentações financeiras consideradas irregulares.
Além do prefeito e do vice, também são investigados, nesta fase, a secretária municipal de Saúde, Erica Aymoré, e o presidente da comissão permanente de licitação, Walmiglisson Ribeiro da Silva.
Dr. Furlan já havia sido alvo da Polícia Federal em setembro do ano passado, durante a primeira fase da operação.

