O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, informou que pretende deixar o cargo antes da data prevista para a transmissão oficial do poder. O mandato terminaria em 7 de agosto, mas o chefe de Estado anunciou que fará a despedida política em 20 de julho, Dia da Independência colombiana, antes da posse do sucessor eleito, Abelardo de la Espriella.
A decisão ocorre em meio a um ambiente de forte tensão política no país. Petro, primeiro presidente de esquerda da história colombiana, contesta o resultado das eleições presidenciais e afirma que recorrerá aos tribunais. Ao mesmo tempo, convocou a população a ocupar praças públicas em defesa das reformas sociais implantadas durante seu governo.
O novo presidente eleito, Abelardo de la Espriella, venceu o segundo turno por pequena diferença contra o candidato governista Iván Cepeda. Empresário milionário, de 47 anos, com nacionalidade colombiana e norte-americana, Espriella chega ao poder com discurso de endurecimento na segurança pública, incentivo ao investimento privado e promessa de corte expressivo nos gastos do Estado.
A eleição também abriu uma disputa em torno do futuro judicial de Petro e de seus aliados. Durante a campanha, Espriella declarou que pretende levar o atual presidente e integrantes de seu grupo político a tribunais nos Estados Unidos. Em resposta, Iván Cepeda afirmou que poderá aderir a uma estratégia de desobediência civil caso o presidente eleito mantenha a dupla nacionalidade norte-americana e avance com a ideia de processar Petro fora do país.
Petro deixa o governo em um cenário contraditório. De um lado, mantém popularidade associada à redução da pobreza e do desemprego. De outro, enfrenta críticas severas na área da segurança, justamente no momento em que a Colômbia atravessa uma das fases mais violentas dos últimos anos.
