PF indica que Eduardo Bolsonaro usou conta da esposa para ocultar valores enviados pelo pai

A Polícia Federal apontou no relatório final do inquérito que indiciou Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro que o deputado federal (PL-SP) utilizou a conta bancária de sua esposa, Heloísa, para ocultar valores recebidos de seu pai, o ex-presidente da República. O procedimento, segundo os investigadores, tinha como finalidade escapar de bloqueios judiciais e disfarçar a origem dos recursos. A apuração identificou que, em 13 de maio de 2025, Jair Bolsonaro realizou sete transferências para Eduardo: seis no valor de R$ 111 mil cada e uma de R$ 2 milhões. O fracionamento foi entendido como tentativa de evitar os sistemas automáticos de alerta do Coaf. Pouco tempo depois, no fim de maio, Eduardo realizou uma operação de câmbio no valor de R$ 1,66 milhão e, em seguida, transferiu R$ 200 mil para a esposa, em dois depósitos separados de R$ 50 mil e R$ 150 mil, em mais uma movimentação considerada suspeita.

A PF concluiu que a conta de Heloísa funcionou como instrumento de passagem para dificultar bloqueios diretos contra Eduardo. O relatório também destacou que Jair Bolsonaro teria adotado estratégia semelhante com Michelle Bolsonaro, realizando repasses igualmente elevados e próximos a momentos cruciais da investigação, como os depoimentos prestados ao longo do processo. Em julho, durante cumprimento de mandado de busca e apreensão, os agentes encontraram US$ 13.400 em espécie em gavetas na casa do ex-presidente, além de registrarem operações de câmbio com valores expressivos em dólares, apesar de Bolsonaro estar proibido judicialmente de sair do país.

Os investigadores afirmam que pai e filho “se utilizaram de diversos artifícios para dissimular a origem e o destino de recursos financeiros, com o intuito de financiamento e suporte das atividades de natureza ilícita”. A avaliação reforça a suspeita de que as manobras estavam ligadas a esquemas de sustentação de iniciativas antidemocráticas, em especial à ofensiva que culminou na tentativa de golpe de Estado. O relatório foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, que já recebeu pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal dos envolvidos. As conclusões aprofundam a crise política em torno da família Bolsonaro e colocam em evidência a gravidade dos indícios de ocultação patrimonial e movimentação financeira irregular no núcleo mais próximo do ex-presidente.

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