A Polícia Federal realizou uma acareação entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília). O procedimento foi determinado pela delegada Janaína Palazzo depois de divergências nos depoimentos prestados pelos dois no inquérito.
A delegada conduz a investigação que resultou na prisão de Vorcaro, em novembro, quando ele foi detido pela PF na saída do Aeroporto de Guarulhos (SP), no momento em que embarcava para os Emirados Árabes. Dias depois, ele deixou a prisão por decisão do TRF da 1ª Região, no fim do mês.
Segundo as informações, a acareação teve cerca de 40 minutos e foi encerrada por volta de 21h40, conforme confirmação do STF. Os depoimentos foram acompanhados por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli e por um representante do Ministério Público.
Depoimentos e mudança de rumo no caso
Os depoimentos ocorreram após um recuo de Dias Toffoli. Inicialmente, o ministro havia indicado a acareação entre Vorcaro e o ex-presidente do BRB, com participação do diretor do Banco Central Ailton de Aquino Santos, que teria atuado na liquidação do Master. Na véspera, porém, Toffoli acolheu um pedido da PF e autorizou que Vorcaro e Paulo Henrique fossem ouvidos separadamente primeiro, deixando à delegada a decisão sobre a necessidade de confronto direto.
Vorcaro prestou depoimento por cerca de duas horas: chegou ao prédio do STF às 11h30 e passou a ser ouvido a partir das 14h. Em seguida, foi a vez de Paulo Henrique Costa prestar esclarecimentos. O diretor do BC foi o último a ser ouvido, mas acabou dispensado da acareação, sob a justificativa de que não é investigado e que o instrumento serve para “confrontar versões” entre os investigados.
O que a PF apura
A investigação aponta que o Master teria recorrido a empresa de fachada para criar créditos, e que o banco de Vorcaro teria recebido R$ 12,2 bilhões do BRB com base em ativos inexistentes, além de usar canais do banco de Brasília para distribuir produtos de forma irregular.

