Professores recebem salários inferiores aos de outros profissionais com nível semelhante de formação em dois de cada cinco países analisados pela Unesco, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (5), Dia Mundial dos Professores.
O levantamento avaliou 68 países e mostra que a diferença salarial permanece em todos os níveis de ensino em aproximadamente 40% deles, com docentes da educação infantil e dos primeiros anos entre os mais afetados.
A remuneração é apenas parte do problema. Embora permaneçam em sala de aula, em média, 19 horas semanais, professores podem trabalhar cerca de 60 horas quando são consideradas preparação de aulas, correção de trabalhos e atividades administrativas.
A Unesco também alerta para a falta de profissionais. O mundo conta com aproximadamente 107 milhões de professores, mas precisará de outros 50 milhões até 2030 para garantir acesso universal à educação infantil, fundamental e média.
Desse total, 58% serão necessários para substituir profissionais que deixarem a carreira, revelando o impacto da evasão docente sobre os sistemas educacionais.
Outro indicador mostra a perda de prestígio da profissão: em três quartos dos países participantes da pesquisa TALIS 2024, menos de 40% dos professores afirmaram sentir que seu trabalho é valorizado pela sociedade.
A Unesco recomenda salários mais competitivos, planos de carreira, incentivos para atuação em regiões com dificuldade de contratação, redução de tarefas administrativas e maior participação dos professores na formulação das políticas educacionais.

