Foto: Artur Póvoa – Podemos

Quem cuida de quem cuida? O desafio do autismo no Brasil

Em meio a um Congresso Nacional frequentemente tomado por disputas políticas e temas de alta tensão, eu tenho visto uma pauta silenciosa — mas urgente — ganhar força e cobrar atitude: o autismo.

E não é um debate técnico. É pressão real. Vem das ruas, das famílias e, principalmente, das mães atípicas que transformaram dor em mobilização.

Eu tenho ouvido essas mães. Tenho conversado com cuidadores. E afirmo com convicção: são pessoas que carregam uma rotina pesada, muitas vezes invisível, e que não podem mais ser ignoradas pelo Estado.

Hoje, o Brasil já convive com cerca de 2 milhões de pessoas dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em São Paulo, esse número cresce a cada ano — e, com ele, cresce também a cobrança por políticas públicas que saiam do papel.

Nos bastidores de Brasília, eu percebo uma mudança importante: o tema deixou de ser deixado de lado. Passou a ocupar espaço e a exigir posicionamento. Porque não se trata apenas de inclusão — se trata de dignidade, proteção e respeito.

Foi dentro desse cenário que apresentei o Projeto de Lei 1978/2025, hoje em análise no Senado, que endurece a pena para maus-tratos contra pessoas com deficiência, incluindo pessoas com autismo.

Eu fiz isso porque não é mais aceitável que pessoas tão vulneráveis continuem expostas à violência — muitas vezes dentro da própria casa.

Os números falam por si. Foram mais de 51 mil denúncias de violações de direitos contra pessoas com deficiência até o terceiro trimestre de 2023, sendo mais de 13 mil apenas em São Paulo.

Mas eu sei que punir não resolve tudo.

Eu defendo que o Congresso avance também no apoio direto às famílias. A pauta do autismo não pode mais ser invisível. E eu sigo trabalhando para que o Congresso entregue respostas concretas.

Porque, para mim, política de verdade é cuidar de gente.

Ribamar Silva (Pode) é deputado federal eleito por São Paulo.

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