Com a renúncia de Cláudio Castro, o nome que passa a ocupar o centro da cena política fluminense é o do desembargador Ricardo Couto de Castro. Presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, ele assume de forma interina o governo estadual em um momento de transição delicada, marcado pela vacância da vice-governadoria e pelo afastamento do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. Caberá agora ao Estado atravessar o rito institucional que desembocará na eleição indireta de um novo governador pela Assembleia Legislativa.
Embora ainda não seja uma figura amplamente conhecida do grande público, Ricardo Couto tem trajetória consolidada no Judiciário do Rio. Entrou na magistratura no início da década de 1990 e, depois de anos de atuação em diferentes comarcas e áreas do Direito, chegou ao posto de desembargador em 2008. Hoje, integra a 4ª Câmara de Direito Público do tribunal.
Ao longo da carreira, acumulou passagens por varas de família, cível, infância e juventude, fazenda pública e criminal, construindo um percurso marcado pela circulação por diferentes frentes da Justiça estadual. Também exerceu funções administrativas relevantes dentro do próprio tribunal, como juiz auxiliar da Corregedoria-Geral, integrante do Conselho da Magistratura e participante de sucessivas gestões do Fundo Especial do TJRJ.
Seu currículo também se estende à vida acadêmica. Formado em Direito pela Uerj, com especialização em Coimbra, Ricardo Couto mantém vínculos antigos com o ensino jurídico. Leciona na FGV e desenvolve atividades há décadas na Emerj, onde atuou em diferentes funções, inclusive na coordenação acadêmica da área de Direito Administrativo.
Ele chegou à presidência do Tribunal de Justiça no fim de 2024, ao ser eleito para comandar a corte no biênio 2025-2026. Na ocasião, derrotou Luiz Zveiter e assumiu o compromisso de conduzir uma gestão baseada em diálogo interno e eficiência administrativa. Desde então, consolidou a imagem de magistrado de perfil técnico, associado menos à exposição pública e mais à engrenagem institucional do Judiciário.
Atravessar a fronteira entre Justiça e Executivo, porém, não é algo totalmente novo em sua trajetória recente. No começo deste ano, durante ausência oficial de Cláudio Castro, ele já havia ocupado temporariamente o cargo de governador em exercício e chegou a representar o Executivo na abertura do ano legislativo na Alerj.
Agora, no entanto, a circunstância é outra. Não se trata mais de uma substituição protocolar e passageira, mas da condução provisória do Estado em meio a uma crise política aberta. Ricardo Couto assume como peça de transição, encarregado de preservar a normalidade administrativa até que a Assembleia escolha, por via indireta, quem concluirá o mandato.

