Foto: Redes sociais

Roberto Carneiro: o articulador discreto que assume o centro do poder em São Paulo

Roberto Carneiro chega à chefia da Casa Civil como um nome moldado mais pela costura do que pelo holofote. Capixaba, natural de Vitória (ES), ele construiu a própria reputação no terreno em que a política é menos discurso e mais método: a rotina de conversas, a leitura fina de ambiente, a capacidade de ouvir sem ceder o comando e de negociar sem perder a linha.

Nos últimos anos, ao ser chamado para organizar o Republicanos em São Paulo, Carneiro ampliou presença e confiança dentro do campo governista justamente por um atributo raro em tempos de fricção permanente: transitar. Transitar entre grupos, entre interesses, entre urgências. E, sobretudo, entre a base e a oposição, com a mesma postura de quem sabe que política institucional é ponte — e não palanque.

Na Alesp, seu nome passou a circular com naturalidade. Deputados de diferentes bancadas destacam a maneira como ele atua: escuta antes de propor, busca convergências, evita o ruído público quando ainda há espaço para solução privada. Esse tipo de perfil é o que costuma destravar votações, dar previsibilidade a agendas e reduzir desgastes — não pela força, mas pela engenharia.

Carneiro também traz um currículo com passagem por funções estratégicas no Espírito Santo, incluindo a Casa Civil, secretarias ligadas ao governo e a direção-geral da Assembleia Legislativa. Essa combinação — Executivo e Legislativo no repertório — costuma formar um operador completo: alguém que entende tanto o “dentro” da máquina quanto o ritmo, as pressões e os ritos do parlamento.

De estilo discreto, mas com posições firmes, ele é reconhecido por ancorar a vida pública em valores pessoais. Evangélico, costuma sublinhar princípios como ética, respeito institucional e responsabilidade administrativa — não como slogan, mas como parâmetro de decisão e de convivência política.

Agora, na Casa Civil, Roberto Carneiro passa a ocupar o ponto mais sensível do governo: o lugar onde estratégia vira agenda, agenda vira articulação e articulação vira governabilidade. É ali que se mede, no dia a dia, a diferença entre um governo que apenas anuncia e um governo que de fato entrega.

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