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Salário mínimo pode chegar a R$ 1.741 em 2027, prevê governo

O salário mínimo brasileiro poderá alcançar R$ 1.741 em 2027, segundo projeção apresentada nesta segunda-feira (24) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. O valor deverá constar na proposta do Orçamento do próximo ano, que precisa ser encaminhada pelo governo federal ao Congresso Nacional até o fim de agosto.

Caso a estimativa seja confirmada, o piso nacional terá aumento de R$ 120 em relação aos atuais R$ 1.621, uma elevação de aproximadamente 7,4%. A projeção também supera os R$ 1.717 considerados pelo governo na elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias, divulgada anteriormente.

O número, entretanto, ainda não é definitivo. O cálculo final dependerá do comportamento da inflação ao longo dos próximos meses, especialmente do Índice Nacional de Preços ao Consumidor, o INPC, acumulado até novembro. O indicador acompanha principalmente a variação de preços para famílias de menor renda e integra a fórmula de correção do piso nacional.

Pelas regras em vigor, o reajuste considera a reposição inflacionária e um ganho real limitado a 2,5%. Dessa forma, o trabalhador não apenas preserva, em tese, seu poder de compra, como também recebe aumento acima da inflação. Alterações no INPC, contudo, poderão fazer o valor definitivo ficar acima ou abaixo da projeção apresentada agora.

A definição do salário mínimo possui peso expressivo no planejamento das contas públicas. Diversos pagamentos realizados pela União acompanham o valor do piso, entre eles aposentadorias e pensões do INSS, Benefício de Prestação Continuada, abono salarial e seguro-desemprego. A contribuição mensal paga por microempreendedores individuais também sofre influência direta do reajuste.

Para a economia, a elevação do mínimo produz efeitos em duas direções. De um lado, aumenta a renda disponível de milhões de trabalhadores e beneficiários, especialmente nas faixas de menor rendimento, onde uma parcela significativa do dinheiro recebido retorna rapidamente ao mercado por meio do consumo. De outro, amplia despesas obrigatórias do governo, reduzindo a margem disponível para outras áreas do Orçamento.

Durigan afirmou que a equipe econômica trabalha para preservar a política de valorização do piso ao mesmo tempo em que procura conter o avanço das despesas obrigatórias e manter o funcionamento das regras fiscais.

A proposta orçamentária de 2027 ainda será examinada e poderá sofrer alterações durante a tramitação no Congresso. O valor exato do novo salário mínimo deverá ser conhecido somente no encerramento de 2026, depois da consolidação dos índices utilizados no cálculo.

Confirmada a previsão de R$ 1.741, o novo piso nacional passará a valer em janeiro de 2027, produzindo efeitos simultâneos sobre salários, benefícios sociais, Previdência, consumo das famílias e despesas da União.

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