Silas Malafaia não fala mais em nome da fé, nem pode ser confundido com o pastor que um dia ocupou o altar. O que hoje se expõe diante das câmeras, em vídeos histéricos e pronunciamentos inflamados, é um operador político de baixa estirpe, que usa a Bíblia como biombo e a religião como biometria de manipulação. Não há aqui o pregador do evangelho. Há um homem comprometido até o osso com o projeto de poder mais nocivo que o Brasil já conheceu.
É preciso dizer sem rodeios: a decisão do Supremo Tribunal Federal de apreender seu celular e reter seu passaporte não tem nada a ver com liberdade religiosa. Não se trata de silenciar a fé evangélica, mas de responsabilizar um homem que transformou a palavra de Deus em senha de acesso aos corredores do poder, em moeda de troca com políticos, em arma de chantagem contra a própria democracia. Quando brada perseguição, Malafaia mente. E mente de forma calculada, com a desfaçatez dos que tentam arrastar multidões pela emoção, sem jamais admitir o próprio envolvimento na lama.
O que se vê é um líder corrompido, que deveria proteger a espiritualidade de milhões de fiéis e, no entanto, prefere se alinhar a uma milícia política que conspira contra o país. Ao associar sua defesa pessoal ao evangelho, Malafaia profana o sagrado. Não é a religião que está em jogo é a sua pele, sua vaidade, seu projeto de poder. As lives e discursos não passam de bravatas de um homem desesperado, disposto a se esconder atrás da cruz para escapar das mãos da Justiça.
O crime de lesa-pátria não se dá apenas com armas ou tanques, mas também com palavras venenosas. E Malafaia as tem usado para sabotar instituições, insuflar o ódio e confundir o povo simples que nele confia. Essa encenação não é mais pregação: é autopropaganda nociva que usa a fé em forma de histeria. O evangelho não está sendo perseguido. Quem está acuado é o homem que fez da religião um negócio e da mentira, um ministério paralelo.
Malafaia não é voz da fé brasileira. É a caricatura grotesca de um poder espiritual corrompido, que abandonou o púlpito para abraçar a insanidade política de um projeto autoritário. O evangelho segue intocado e há milhares de pastores e pastoras que continuam a servir a Deus em silêncio, dignidade e verdade. O que está sendo desnudado é apenas um impostor que, em nome de Cristo, negociou a pátria.
E quando um homem escolhe transformar a fé em trincheira do ódio, não cabe mais piedade. O país não deve temer os gritos de Malafaia, mas lamentar o estrago que ele já fez ao arrastar a espiritualidade para o esgoto e lembrar, todos os dias, que Deus não compactua com tiranias, nem com insanidades travestidas de pregação.
Fabrício Correia é escritor, jornalista e professor universitário. É CEO da Kocmoc New Future, responsável pela agência de notícias Conversa de Bastidores.